Jorge Bernal/AFP
Jorge Bernal/AFP

Após pedido de intervenção, ministro de Evo diz ter confiança nas Forças Armadas

Presidente da Bolívia permanece pressionado pela oposição, que pede sua renúncia e a intervenção dos militares

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2019 | 20h26

LA PAZ - O governo da Bolívia disse nesta segunda-feira, 4, ter “absoluta confiança” nas Forças Armadas, dois dias após um líder opositor convocar os militares a intervir na crise política causada pela questionada reeleição do presidente Evo Morales

“Confiamos absolutamente nas Forças Armadas. Aquele que bater às portas das Forças Armadas está em busca de sangue”, disse o ministro do Interior, Carlos Romero, à TV. A declaração coincide com a feita por Evo no fim de semana, quando disse que seus rivais “buscam mortos”. 

No sábado, o líder do poderoso Comitê Cívico de Santa Cruz (direita), Luis Fernando Camacho, deu um ultimato a Evo, exigindo sua renúncia até as 19 horas desta segunda (20 horas em Brasília) e pedindo aos militares que ficassem “ao lado do povo” nesta crise.

As Forças Armadas, que permanecem à margem do conflito político, não emitiram nenhum comunicado.

Durante uma sessão extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA), o chanceler boliviano, Diego Pary, denunciou nesta segunda um golpe de Estado em curso em seu país impulsionado pela oposição, que pediu o levante das Forças Armadas. 

Mesa acusou Evo de levar o país a uma situação drástica por não querer renunciar em meio às denúncias de fraude eleitoral. “Evo Morales tem em suas mãos a pacificação do país e a saída democrática para a crise. Ele não tem valor para fazer isso e está provocando o pedido de sua renúncia, levando o país a uma situação limite”, advertiu nesta segunda. 

A Bolívia entrou na terceira semana consecutiva de protestos na segunda-feira, após o contestado resultado da eleição presidencial dar uma apertada vitória a Evo no primeiro turno. O dia foi marcado pelo bloqueio de ruas, estradas e pontes ao redor de La Paz, enquanto a região de Santa Cruz, a mais rica do país e reduto da oposição, se manteve em greve geral pela renúncia de Evo. As aulas permaneceram suspensas na capital, enquanto o centro da cidade teve atividade normalizada. As Forças Armadas usaram bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta para conter focos de distúrbios.

Evo é acusado pela oposição de fraude eleitoral, após ter sido reeleito para um quarto mandato consecutivo no dia 20. A OEA realiza uma auditoria para investigar se houve fraude eleitoral. Mas seu principal rival, o ex-presidente Carlos Mesa, pede a realização de novas eleições, com um novo tribunal eleitoral. 

Pouso forçado

Ainda nesta segunda, o helicóptero em que Evo viajava teve de fazer um pouso de emergência, minutos depois de decolar da região andina de Oruro, no sul do país, onde ele havia se reunido com líderes sindicais e participado da inauguração de uma estrada. A Força Aérea Boliviana disse que houve uma falha mecânica no rotor da cauda e divulgará mais detalhes após uma investigação. Ninguém ficou ferido. / AFP e AP

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