Após pedido sérvio, Bogotá expulsa ex-premiê kosovar

Agim Ceku foi à Colômbia para participar de uma conferência, a convite do próprio governo colombiano

REUTERS, AP E EFE, O Estadao de S.Paulo

08 de maio de 2009 | 00h00

A Colômbia expulsou ontem o ex-premiê kosovar Agim Ceku, contra quem a Interpol (polícia internacional) emitiu uma ordem de captura a pedido da Sérvia. O mais embaraçoso da história é que Ceku, acusado pelos sérvios de crimes de guerra, havia entrado na Colômbia a convite do próprio governo para participar de uma conferência sobre a desmobilização de movimentos armados na cidade de Cartagena. "Não havia uma circular da Interpol (pedindo a prisão de Ceku) no momento em que ele chegou à Colômbia. Ele tinha todas as condições (para participar da conferência) e os aportes que fez foram muito importantes", disse o alto comissário para a paz do governo colombiano, Frank Pearl, à radio La W. Pearl explicou que seu governo não podia prender o ex-premiê sérvio, pois as acusações feitas contra ele dizem respeito a crimes que teriam sido cometidos antes de janeiro de 2005, quando entrou em vigência a atual legislação penal colombiana. "Expulsamos ele para permitir que as autoridades estrangeiras tomem as medidas que têm de tomar", completou Pearl. Ceku liderou o Exército de Libertação de Kosovo durante a guerra contra a Sérvia, no final dos anos 90, e em seguida ajudou a transformar essa guerrilha numa força de segurança regular supervisionada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Hoje, vive em Pristina, a capital kosovar, e lidera o partido de oposição, que se inspira na social-democracia europeia. Kosovo declarou unilateralmente sua independência em fevereiro de 2008, obtendo o reconhecimento de uma série de países - entre eles a Colômbia. Mas Belgrado ainda vê a república separatista como parte de seu território e considera o atual premiê e alguns de seus ministros como criminosos de guerra. "Essa é só mais uma tentativa da Sérvia para desacreditar Kosovo como um Estado e me retratar como um criminoso de guerra", afirmou Ceku, comentando sua expulsão numa entrevista de Paris, onde fez uma escala para pegar um voo para a Croácia. "Eu fui tratado como um herói na conferência. As pessoas fizeram fila para tirar fotos comigo, e foi isso que incomodou a Sérvia", completou.

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