Stefanie Loos/AFP
Stefanie Loos/AFP

Após pedir desculpas por restrições contra a covid na Semana Santa, Merkel adota tom otimista

Embora mutações agressivas sejam equivalentes a uma nova pandemia, ela disse que há 'luz no fim do túnel', já que imunizações mais rápidas e testes generalizados oferecem um caminho para sair da crise

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2021 | 17h04

BERLIM - A chanceler da AlemanhaAngela Merkelpediu nesta quinta-feira, 25, aos alemães que sejam mais otimistas e se unam para vencer o coronavírus. "Você não pode alcançar nada se apenas ver o (lado) negativo", disse ela aos legisladores em Berlim nesta quinta, um dia depois de fazer um raro pedido de desculpas público por um plano fracassado para um rígido bloqueio de Páscoa.

Embora mutações agressivas sejam equivalentes a uma nova pandemia, ela disse que há "luz no fim do túnel", já que imunizações mais rápidas e testes generalizados oferecem um caminho para sair da crise, implorando para que as pessoas continuem esperançosas.

Com a maior economia da Europa dominada por uma terceira onda, a raiva pública se intensificou em relação à estratégia do governo para o vírus. A taxa de contágio na Alemanha quase dobrou no mês passado, enquanto o lançamento da vacina continua lento.

"É decisivo se o copo está meio cheio ou meio vazio", disse ela antes de uma cúpula virtual com outros líderes da União Europeia na quinta-feira. "Se estiver apenas meio vazio, então, como país, não seremos capazes de desenvolver a força criativa para sairmos desta crise."

A líder alemã está sob crescente pressão por causa de erros no combate à pandemia. Recentemente o país teve vários protestos contra a tentativa do governo de impor medidas restritivas. 

Na quarta-feira, ela foi forçada a abandonar seu plano de um bloqueio de cinco dias durante a Páscoa, após uma reação intensa. A iniciativa foi a única nova proposta acertada com as 16 lideranças estaduais nas tensas conversas que duraram mais de 12 horas e estabeleceu o fechamento de lojas e cerimônias religiosas organizadas por videoconferência.

"A situação é grave. O número de casos aumenta exponencialmente, e os leitos de terapia intensiva voltam a ser preenchidos", alertou a chanceler, ao final da reunião de segunda-feira.

No entanto, hoje, Merkel disse que cometeu um "erro", ao tentar reforçar as normas de saúde contra a covid-19 para o feriado prolongado da Semana Santa, e confirmou o abandono do plano.

A terceira onda epidêmica se tornou um calvário para a chanceler, cujo partido está em queda livre nas pesquisas, a ponto de embaralhar as cartas seis meses antes das eleições que marcarão o fim de seus 16 anos no comando da Alemanha.

“Vamos derrotar esse vírus, tenho absoluta certeza de que vamos controlá-lo”, disse ela. "Portanto, trata-se de unir forças e olhar para o futuro positivamente, mesmo que a situação continue difícil. Isso é o que eu pediria a todas as pessoas neste país."

A região alemã do Sarre, no sudoeste, será a primeira do país a encerrar com as principais restrições contra o coronavírus, a partir de 6 de abril, logo depois da Páscoa, anunciaram as autoridades locais nesta quinta-feira. 

A partir dessa data, cinemas, teatros, salas de concertos, varandas de cafés e restaurantes, assim como academias, poderão reabrir. Também serão reduzidas as limitações para grupos e reuniões, informou Tobias Hans, presidente desta região que faz fronteira com França e Luxemburgo.

"Decidimos aliviar as restrições para a vida privada e pública", disse ele, observando, porém, que um teste negativo rápido deverá ser apresentado no mesmo dia./ W.Post e AFP 

 

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