EFE/MAURICIO DUEÑAS CASTAÑEDA
EFE/MAURICIO DUEÑAS CASTAÑEDA

Após plebiscito, chefe negociador do governo coloca cargo à disposição

Humberto de la Calle afirmou que erros durante o processo com as Farc eram de responsabilidade dele; presidente Santos não respondeu ao pronunciamento; Farc dizem que respeitarão acordo de paz

Fernanda Simas, Enviada Especial / Bogotá, O Estado de S. Paulo

03 de outubro de 2016 | 13h03

BOGOTÁ - Um dia depois do resultado surpreendente do plebiscito na Colômbia, no qual os colombianos rejeitaram o acordo de paz entre o governo de Juan Manuel Santos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o chefe negociador do governo, Humberto de la Calle, assumiu “qualquer erro político” e colocou seu cargo à disposição do presidente.

“Os erros que tenhamos cometido são de minha exclusiva responsabilidade. Assumo totalmente minha responsabilidade política. Vim dizer ao presidente que coloco meu cargo de chefe negociador à disposição porque não serei obstáculo para o que seguirá. Mas repito que continuarei trabalhando pela paz sem parar onde eu possa ser útil”, afirmou De la Calle na Casa de Nariño, sede do governo nacional.

O presidente Santos ainda não fez nenhum comentário sobre o pronunciamento de Uribe. Está marcada para essa manhã (horário local) uma reunião política, na qual todos os partidos estão convidados, para definir os próximos passos no processo de paz.

Após o resultado da votação, Santos fez um pronunciamento pedindo um “pacto nacional” e se comprometendo a continuar lutando pela paz com as Farc. O presidente afirmou ainda que os negociadores do governo deveriam partir nesta segunda-feira, 3, para Havana, Cuba, e conversar com os negociadores da guerrilha sobre os resultados. Até o momento, a ida de De la Calle continua confirmada.

O líder das Farc, Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como Timochenko, também se pronunciou após o resultado do plebiscito, o qual lamentou, mas garantiu que a guerrilha continua buscando a paz e usará “apenas as palavras como arma” nessa luta.

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, as Farc afirmaram que manterão o cessar-fogo estabelecido há mais de um ano e "seguirão fiel" ao acordo de paz. A guerrilha pediu que movimentos sociais e políticos se mobilizem pacificamente e apoiem o acordo de paz. 

ELN. Momentos depois do anúncio da vitória do 'não', o Exército de Libertação Nacional (ELN), segunda maior guerrilha do país, também defendeu, em sua conta no Twitter, a continuidade da luta pela paz, "apesar dos resultados". "Convocamos a sociedade colombiana a continuar buscando uma saída negociada para o conflito armado", tuitou o ELN.

Veja abaixo: Colômbia vive momento de incerteza

"Apesar dos resultados adversos para os acordos de Havana, os colombianos devem continuar lutando pela paz com transformações", acrescentou o grupo, que está nas conversas iniciais para percorrer o mesmo caminho das Farc em negociação com o governo Santos. A guerrilha anunciou que não realizaria nenhuma ação para garantir a tranquilidade durante o plebiscito.

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