Markus Schreiber/AP
Markus Schreiber/AP

Após polêmica, Berlim diz ser dever do Estado garantir uso do quipá

No fim de semana, comissário do governo alemão alertou para o risco de se usar o quipá em algumas partes do país diante do número crescente de ataques antissemitas

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2019 | 15h49

BERLIM - O governo alemão afirmou nesta segunda-feira, 27, que o Estado deve poder garantir o uso do quipá em qualquer parte do país, em uma tentativa de aplacar a polêmica que se seguiu à declaração de um representante do Executivo desencorajando o uso desse adereço religioso em alguns lugares na Alemanha

"Qualquer pessoa deve poder se locomover e se sentir segura em qualquer parte deste país usando seu quipá", afirmou o porta-voz do governo, Steffen Seibert, que lembrou que o uso do quipá faz parte do direito ao livre exercício de uma religião. 

No sábado, o comissário antissemitismo do governo alemão, Felix Klein, alertou sobre o risco de se usar o quipá em algumas partes da Alemanha diante do número crescente de ataques contra a comunidade judaica registrado no país. Ele não deu detalhes de quais seriam esses locais mais perigosos. 

"Lamentavelmente, não posso aconselhar aos judeus que levem o quipá a qualquer parte da Alemanha", disse Klein ao grupo de mídia Funke. 

Klein, cujo departamento está ligado ao Ministério do Interior, mencionou uma "crescente desinibição social" diante das expressões e atitudes agressivas contra membros da comunidade judaica, assim como um terreno fértil para o avanço dos partidos de ultradireita. 

Uma recente estatística do Ministério do Interior, correspondente a 2018, reflete um aumento de 20% dos crimes de fundo antissemita e atribuía  90% desses atos à ultradireita. 

No total em 2018 se registraram na Alemanha 7,7 mil delitos de índole racista, enquanto que os de caráter antissemita ficaram em 1.799 casos. 

A declaração de Klein desencadeou dias de reações e críticas de que ela implica em deixar-se intimidar pelo antissemitismo. 

Resposta

De Israel, o presidente do país, Reuvén Rivlin, se mostrou consternado por essa recomendação e recordou que o Estado alemão deve garantir o direito à liberdade religiosa. 

As críticas vieram até mesmo do presidente do partido de ultradireita Alternativa para Alemanha (AfD), Alexander Gauland, que considerou que a declaração de Klein não foi um bom conselho porque gera "novos medos". 

Em uma entrevista colevia para analisar os resultados das eleições europeias, Gauland afirmou que os judeus devem poder usar o quipá em qualquer lugar e assegurou que seu partido se coloca contra o antissemitismo. / EFE 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.