Após polêmicas, Karzai inaugura Parlamento do Afeganistão

Presidente considera eleições legislativas fraudulentas e não endossa atual formação parlamentar

Agência Estado

26 de janeiro de 2011 | 10h31

CABUL - O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, inaugurou o Parlamento nacional nesta quarta-feira, 26, encerrando um impasse de uma semana com os deputados recentemente eleitos, que ameaçavam começar os trabalhos com ou sem o líder.

 

A cerimônia na Assembleia Nacional ocorre quatro meses após o país realizar sua segunda eleição parlamentar desde a queda do Taleban, no final de 2001. Houve denúncias de fraudes generalizadas nas eleições.

 

"Parabéns", disse Karzai após os deputados fazerem seus juramentos com a mão sobre um exemplar do Alcorão. A cerimônia foi assistida por ministros do governo, diplomatas estrangeiros e pelo chefe das tropas dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no país, o general -americano David Petraeus.

 

Karzai disse na semana passada que retardaria a abertura do Parlamento por um mês, para permitir que um tribunal especial investigasse acusações de irregularidades nas eleições de setembro. Reunido com centenas de candidatos perdedores em seu palácio, Karzai acusou "mãos estrangeiras" de influenciar na decisão de se prosseguir com a posse.

 

As eleições foram controversas. As fraudes fizeram com que um quarto dos cerca de 5 milhões de votos fossem descartados. Além disso, houve relativamente poucas vitórias de políticos da etnia pashtun, a maior do país e tradicional base de Karzai. O presidente nunca endossou o resultado final.

O principal promotor do Afeganistão, Mohammad Ishaq Alako, um aliado de Karzai, pediu a anulação da disputa. Segundo Alako, suas investigações mostraram que a votação foi fraudulenta. Karzai estabeleceu um tribunal especial para investigar as alegações de fraude eleitoral e resiste aos pedidos dos parlamentares para acabar com esse tribunal. Para os novos deputados, essa corte é inconstitucional.

 

Na terça, o ex-deputado Daud Sultanzai acusou embaixadas estrangeiras e a Organização das Nações Unidas (ONU) de pressionarem o governo afegão. A situação é acompanhada de perto pela comunidade internacional. Em julho deste ano, as tropas estrangeiras começam a deixar o país. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.