Após pressão de Evo, Bolívia pede à Interpol que prenda senador

Ao menos três ordens de prisão foram emitidas contra Roger Pinto, que fugiu para o Brasil

Rodrigo Cavalheiro, enviado especial a La Paz,

29 de agosto de 2013 | 12h43

LA PAZ - O Ministério Público da Bolívia pediu à Interpol a captura imediata do senador Roger Pinto, que fugiu da embaixada brasileira em La Paz, onde ficou 15 meses asilado. A solicitação foi feita na noite da quarta-feira 28, horas depois de o presidente boliviano, Evo Morales, ter dito que o Brasil deveria devolver o político de oposição, para que ele seja julgado por corrupção.

O pedido à Interpol foi divulgado pelo procurador-geral interino, Roberto Ramírez, em Sucre. Foram remetidas à polícia internacional pelo menos três ordens de prisão contra o senador boliviano emitidas pela Justiça de Pando, seu berço político. Pinto tem 14 processos abertos contra ele, sendo uma condenação em primeira instância a 1 ano de prisão por corrupção. Nesta ação, a Justiça concluiu preliminarmente que ele lesou o Estado em 11 milhões de bolivianos (R$ 3,7 milhões).

Logo após a fuga, a chancelaria boliviana havia notificado informalmente a polícia internacional de que o político era procurado em seu país. O pedido do Ministério Público foi entendido como o primeiro reflexo prático do primeiro pronunciamento de Evo sobre o caso, na manhã de quarta-feira, quando disse que brigará pela extradição do político opositor para "que seja julgado como qualquer autoridade envolvida em corrupção". O senador chegou ao Brasil clandestinamente no sábado.

Evo criticou a posição do governo brasileiro, que alega ter sido surpreendido por uma operação de resgate conduzida pelo encarregado de negócios da embaixada na capital boliviana, Eduardo Saboia. Evo sugeriu que a presidente Dilma Rousseff deveria agir de modo diferente. "Se houvesse um caso similar na Bolívia, eu deixaria este corrupto na fronteira."

A solicitação à Interpol também veio depois de uma conversa por telefone entre os dois presidentes, na tarde de quarta-feira. Dilma disse a Evo que trocou o ministro das Relações Exteriores, sinalizando ter tomado providências sérias por causa do que ela considerou um "grave episódio". Eles combinaram de se reunir na sexta-feira, 30, em Paramaribo, no Suriname, onde ocorrerá reunião da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

 
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