Após pressão russa, Brasil participará de reunião para conter guerra na Síria

País estará no encontro ‘Genebra II’ ao lado de Estados do Golfo Pérsico, dos EUA e de nações europeias; negociações reacendem a esperança de solução pacífica para o conflito sírio

Jamil Chade - O Estado de S. Paulo,

20 de dezembro de 2013 | 16h58

Diplomatas das grandes potências e da ONU discutem em Genebra cúpula sobre Síria, agendada para dia 22. (Foto: Fabrice Coffrini/EFE)

O Brasil estará na conferência de paz da Síria, no dia 22 de janeiro, na Suíça. A confirmação foi feita pela ONU na sexta-feira, 20, após uma reunião em Genebra entre representantes dos EUA e da Rússia com o mediador da ONU para o conflito na Síria, Lakhdar Brahimi.

No sábado, 14, o Estado antecipou que o Brasil seria convidado a participar da negociação. Moscou insiste na participação completa do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), como forma de "garantir legitimidade internacional" para o processo de paz que poderá ser iniciado. Outro objetivo é contrapor a presença de países, liderados pelos EUA, que pretendem impor na conferência de paz a saída do presidente Bashar Assad do poder como precondição ao diálogo.

A lista final de participantes fechada ontem inclui todos os membros do Conselho de Segurança da ONU, mas também outros 26 governos - o Brasil deve participar das principais decisões. A maioria é da região do Golfo Pérsico de influência no mundo muçulmano, como Argélia, Turquia, Egito, Jordânia, Líbano, Catar, Emirados Árabes e Arábia Saudita. Entre os europeus, a lista inclui Alemanha, Itália, Espanha, Suíça, Dinamarca e Noruega.

Há dúvidas sobre a participação do Irã, defendida por russos e pela ONU, mas rejeitada pelos EUA e pelos europeus. "Não temos um acordo sobre isso ainda", declarou Brahimi. "Não é um segredo que nós na ONU defendemos a participação do Irã. Mas nossos parceiros nos EUA não estão convencidos de que é a coisa correta a ser feita", disse o diplomata argelino.

A oposição síria também não tem definida ainda uma delegação para a negociação que começa no dia 22 - não há data para acabar. As facções que tentam derrubar o regime Assad estão cada vez mais desunidas e grupos ultrarradicais ligados à Al-Qaeda estão assumindo controle entre os rebeldes em luta. Ontem, a Anistia Internacional afirmou que grupos jihadistas estão operando uma rede secreta de prisões.

VIOlÊNCIA

Perto de completar três anos, a guerra civil deixou um saldo de 120 mil mortos, segundo cálculos da ONU, além de ter obrigado quase um quarto da população a abandonar suas casas. Milhões de refugiados sírios estão espalhados por países vizinhos, como Turquia, Líbano, Iraque e Jordânia. Longe de uma vitória militar definitiva de um dos dois lados, países da região e potências internacionais tentarão na Suíça chegar a um documento consensual que leve a uma transição pacífica.

"Genebra II", como está sendo chamado o encontro, será a reedição de uma cúpula que ocorreu em junho de 2012, na qual emissários dos lados em conflito na Síria aceitaram um conjunto de princípios que os levaria a uma transição. O plano naufragou e, desde então, a guerra civil deixou dezenas de milhares de mortos e deslocados.

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