Bas Czerwinski|Efe
Bas Czerwinski|Efe

Após proibir ministro turco de pousar em Roterdã, governo holandês sofre ameaças da Turquia

Governo Erdogan chama Holanda de “remanescente nazista” e diz que atitude terá consequências; protestos são registrados

O Estado de S.Paulo

11 de março de 2017 | 23h54

Depois de proibir o ministro das Relações Exteriores da Turquia de pousar em Roterdã neste sábado para participar de um evento em prol do presidente turco, Recep Erdogan, o governo da Holanda entrou na rota de tensões com a Turquia e ouviu em troca que o país é um “remanescente nazista” e que a atitude terá “consequências”.

Membros do alto escalão do governo turco vêm tentando realizar há semanas comícios entre a população turca residente em países como Holanda e Alemanha em favor do “sim” no referendo que pode garantir mais poderes ao presidente turco.

Além de ter barrado o ministro Mevlüt Cavusoglu, a Holanda também proibiu a ministra de Família e Assuntos Sociais da Turquia de chegar ao consulado de seu país em Roterdã e a escoltou por terra de volta à Alemanha, de onde ela tinha partido, na madrugada deste domingo.

Fatma Betul Sayan Kaya disse, em sua conta no Twitter, que a estavam transportando de uma forma que esmaga todos os “valores democráticos e humanos''.

Em resposta às retaliações holandesas, consideradas um “escândalo”, o governo Erdogan informou ainda neste sábado não querer que o embaixador holandês na Turquia, atualmente em férias, retorne a seu posto de trabalho “por um tempo”.

No comunicado, a Turquia lembra os "405 anos de relações ininterruptas de amizade e aliança entre os dois países" e atribuiu "inteiramente" à Holanda "a responsabilidade e a vergonha" do atual incidente. "Condenamos a atitude hostil e a mentalidade de preconceito", afirma o comunicado.

Protestos. Enquanto várias emissoras turcas transmitiam ao vivo protestos favoráveis e contrários às medidas tomadas pelo governo da Holanda em Roterdã, outros milhares de turcos estavam à frente da embaixada holandesa em Ancara e do consulado em Istambul gritando palavras de ordem a favor do referendo.

Protestos também tomaram ruas de Roterdã, quando centenas de manifestantes pró-Turquia enfrentaram policiais em frente ao consulado turco. / AP, EFE e REUTERS

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