Após protestos, cidade chinesa corta projeto de fábrica de cobre

Uma cidade chinesa descartou os planos para uma fábrica de ligas de cobre nesta terça-feira depois de três dias de protestos dos moradores, que temiam que ela iria envenená-los, na mais recente agitação estimulada pelas preocupações ambientais na segunda maior economia mundial.

SUI-LEE WEE E BEN BLANCHARD, Reuters

03 de julho de 2012 | 14h07

O governo de Shifang, na província sudoeste de Sichuan, que inicialmente disse que só iria suspender o projeto da Sichuan Hongda, cedeu à pressão e anunciou que o projeto seria interrompido.

"A fábrica de ligas de cobre-molibdênio deixará de ser construída na cidade de Shifang", afirmou o governo em um comunicado oficial em seu site de microblogs Sina Weibo.

"No momento, o incidente em massa... basicamente foi colocado sob controle, e a maioria das pessoas se dispersou", acrescentou, usando um termo comum do governo para protestos.

Os protestos se tornaram violentos na segunda-feira, quando dezenas de milhares de moradores invadiram a sede do governo da cidade, quebraram carros de polícia e entraram em confronto com milhares de policiais de choque, de acordo com a imprensa de Hong Kong.

"Nós temos tantas pessoas em Shifang. Não temos medo deles (as autoridades)", disse uma vendedora de 18 anos de idade, que não quis ser identificada, à Reuters por telefone de Shifang, antes do anúncio do governo. "As pessoas de Shifang definitivamente não vão se render."

Ela acusou a polícia de espancar manifestantes na noite de segunda-feira. A polícia não estava imediatamente disponível para comentar o assunto.

Ativistas ambientais chineses têm contestado com sucesso uma série de projetos industriais nos últimos anos.

Os ativistas têm apelado repetidamente para uma maior consulta pública no rigidamente controlado Estado de partido único, onde os líderes estão obcecados com a manutenção da estabilidade enquanto impulsionam o crescimento econômico.

Em agosto de 2011, milhares de manifestantes forçaram o fechamento de uma fábrica de paraxileno depois de marcharem na praça da cidade de Dalian, no nordeste da China.

As autoridades de Xiamen, na província sudeste de Fujian, foram forçadas a desfazer um projeto semelhante em 2008 depois que milhares de pessoas na cidade foram às ruas no ano anterior.

"INCITAÇÃO"

Fotos enviadas à Reuters nesta terça-feira mostraram os jovens carregando faixas vermelhas que diziam "livre-se da fábrica de molibdênio Hongda, devolva a linda Shifang a mim". A segunda foto mostrava a polícia de choque em torno de um pequeno grupo de manifestantes fora de um posto dos correios.

Pelo menos 13 pessoas ficaram feridas na segunda-feira quando a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, disse o governo da cidade. O governo afirmou que não houve mortes, mas o jornal Ming Pao de Hong Kong e um morador relataram que um estudante do ensino médio tinha morrido.

O governo disse que iria ser leniente para com as pessoas que se rendessem dentro de três dias por seus papéis na organização do protesto, mas os outros seriam "severamente punidos".

A Sichuan Hongda, uma das maiores produtoras de zinco e chumbo da China, divulgou um comunicado na terça-feira afirmando que era um projeto aprovado pelo governo.

O governo acusou o banido movimento espiritual Falun Gong e o líder espiritual tibetano exilado, o Dalai Lama, de fomentarem os protestos, que começaram em 1o de julho, o aniversário do Partido Comunista Chinês.

Tudo o que sabemos sobre:
CHINASHIFANGCOBRE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.