Jeon Jin-hwan/Newsis via AP
Jeon Jin-hwan/Newsis via AP

Após protestos, Coreia do Sul aceita revisar local de instalação de escudo antimísseis americano

Ministério de Defesa sul-coreano disse em comunicado que replanejamento foi aceito após manifestações de moradores que acreditam que as ondas eletromagnéticas utilizadas pelo radar do equipamento possam causar câncer, infertilidade e danos às plantações

O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2016 | 10h29

SEUL - O governo da Coreia do Sul aceitou nesta quinta-feira, 4, revisar o lugar designado para instalar o escudo antimísseis americano THAAD (Terminal High Altitude Area Defence) no sudeste do país, depois que moradores da região realizaram grandes protestos mostrando descontentamento.

A presidente sul-coreana, Park Geun-hye, pediu às autoridades do condado de Seongju, na Província de Gyeongsang do Norte - onde deve ficar a principal bateria do THAAD -, que recomende "outros possíveis lugares" dentro de sua jurisdição para construir a instalação militar. Uma vez sugeridos os pontos alternativos no condado de 600 km², "o governo fará uma exaustiva revisão cujos resultados serão detalhadamente explicados aos residentes de Seongju", indicou Park em reunião com deputados de Gyeongsang do Norte.

O Ministério da Defesa sul-coreano, por sua vez, emitiu um comunicado semelhante, confirmando que Seul aceitou replanejar a localização pelos fortes protestos na área próxima à localização do escudo antimísseis, cujo desdobramento está previsto para 2017.

Em julho, os moradores do lugar, onde já existe uma base militar de artilharia, se manifestaram várias vezes em Seul contra o que consideravam uma decisão "unilateral" do governo, e tanto eles quanto seus representantes mantiveram reuniões com autoridades do país.

Os residentes temem que as ondas eletromagnéticas usadas pelo radar AN/TPY-2, que fará parte do THAAD, possam causar câncer, infertilidade e danos às plantações, além de colocá-los na mira da Coreia do Norte no caso de um hipotético ataque.

O desdobramento do THAAD, confirmado em julho pela Coreia do Sul e pelos Estados Unidos, pretende garantir um sistema de defesa seguro para interceptar projéteis da Coreia do Norte. O projeto esteve rodeado de polêmicas desde o início, já que os norte-coreanos o consideram uma ameaça a sua segurança.

Já a China e a Rússia manifestaram oposição por acreditar que os potentes radares do THAAD podem servir para obter dados de inteligência de suas bases militares mais próximas.

Pyongyang ameaçou em julho realizar uma "ação física" contra o THAAD. "Nosso compromisso a favor da defesa de nossos aliados, entre eles a República da Coreia do Sul e o Japão, ante as ameaças resiste a qualquer teste", disse Gary Ross, porta-voz do Pentágono. "Estamos prontos para nos defender e para defender nossos aliados contra qualquer ataque ou provocação", completou. / EFE e AFP

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