Sergei Karpukhin / Reuters
Sergei Karpukhin / Reuters

Após protestos, Justiça russa manda soltar líder da oposição a Putin

Críticos veem libertação de candidato à prefeitura moscovita como tentativa de legitimar votação

O Estado de S. Paulo,

19 de julho de 2013 | 09h28

MOSCOU - Um tribunal russo libertou nesta sexta-feira, 19, o carismático líder opositor Alexei Navalni, menos de 24 horas depois de ele ter sido condenado por fraude. Em uma decisão incomum para esse tipo de sentença, o juiz de apelação Ignati Embasinov acatou um pedido da promotoria e soltou Navali sob fiança, depois de milhares de pessoas tomarem as ruas de Moscou e São Petersburgo contra a prisão do ativista.

O juiz afirmou que a prisão de Navalni o impediria de exercer seus direitos de ser eleito. O opositor pretendia disputar a prefeitura de Moscou, em 8 de setembro, mas colocou em dúvida a sua participação, agora que foi libertado a pedido da acusação. A advogada de Navalni, Olga Mikhailova, descreveu a decisão desta sexta-feira como sem precedentes na Rússia.

A promotoria havia requisitado que Navalni  tivesse a prisão suspensa até a decisão sobre um recurso para que, dessa forma, possa participar do processo eleitoral, marcado para setembro. A ação foi vista como uma tentativa de acalmar a raiva dos eleitores e dar legitimidade a uma votação que deve ser vencida pelo candidato apoiado pelo Kremlin.  Navalni não pode viajar para fora de Moscou e permanecerá solto até que o recurso sobre sua condenação seja julgado.

Segundo Navalni, a medida foi tomada por causa dos protestos contra a sentença de cinco anos de prisão, vista por seus partidários como uma ação para silenciar o inimigo do presidente Vladimir Putin. A polícia disse que mais de 200 pessoas foram detidas em São Petersburgo e Moscou, embora não tenha havido grandes confrontos.

Após a decisão judicial, o ativista abraçou sua mulher e agradeceu aos milhares de partidários que protestaram contra sua condenação na praça Manezhnaya, próxima ao Kremlin, batendo palmas e gritando "liberdade" e "Putin é um ladrão!".

"Eu sou muito grato a todas as pessoas que nos apoiaram, todas as pessoas que foram (protestar) na praça Manezh (em Moscou) e em outras praças", disse Navalni, de 37 anos, que correu para abraçar a esposa depois que foi solto de uma cela de vidro dentro do tribunal. "Nós entendemos perfeitamente o que aconteceu agora. É um fenômeno absolutamente singular na Justiça russa."

Navalni se tornou conhecido durante uma série de grandes protestos em Moscou contra a reeleição de Putin e seu terceiro mandato presidencial, em março de 2012. Ele começou a atrair atenção ao publicar, em seu blog, suas investigações sobre corrupção em empresas estatais nas quais ele mesmo tinha ações. Navalni e seu grupo de advogados e ativistas vasculharam registros de propriedades fora do país e descobriram que graduados funcionários do governo e integrantes do Legislativo tinham ativos não declarados no exterior. / AP, REUTERS e EFE

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