Após protestos, Marrocos encontra cinco corpos carbonizados em banco

Governo culpa manifestantes da oposição por incêndio que resultou nas mortes

BBC

21 de fevereiro de 2011 | 13h12

Manifestantes levam bandeiras do Marrocos em Casablanca.

 

RABAT - Cinco corpos foram encontrados dentro de um banco que havia sido incendiado na cidade de Al Hoceima, no Marrocos, nesta segunda-feira, 21. De acordo com o ministro marroquino do Interior, Taib Cherkaoui, a agência bancária foi incendiada por manifestantes de oposição ao governo após protestos realizados na cidade no domingo.

Cherkaoui disse que as manifestações deixaram pelo menos 128 pessoas feridas, em sua maioria agentes de segurança. Os protestos de domingo levaram cerca de 37 mil marroquinos às ruas em diferentes cidades do país. Os manifestantes exigem a adoção de reformas democráticas e a imposição de limites aos poderes do rei Mohammed VI.

Segundo relatos, as manifestações no Marrocos foram pacíficas de um modo geral, mas deixaram na rasteira alguns episódios de violência. Há informações de que os manifestantes atearam fogo a automóveis e arremessaram pedras contra sedes de instituições governamentais. Estabelecimentos comerciais foram saqueados.

Uma testemunha disse à BBC ter visto jovens de fora da cidade vandalizar bancos, lojas e prédios do governo.

Efeito dominó

Os protestos no Marrocos têm caráter similar aos que têm sido vistos em outros países árabes e muçulmanos nas últimas semanas. Muitos ativistas vêm utilizando redes sociais, como Facebook e Twitter, para convocar os protestos.

A onda de manifestações teve início na Tunísia, no final de dezembro, e seguiu para o Egito, em janeiro. A pressão popular provocou a queda dos governos de ambos os países. Foram vistos protestos ainda em outros países como Argélia, Iêmen, Bahrein e Irã.

Segundo analistas, as condições no Marrocos diferem ligeiramente das de outros vizinhos, já que o país conta com um parlamento eleito e um regime monárquico de caráter reformista - o que o torna menos propenso a revoltas como as vistas nas outras nações. Mas o país conta com uma população predominantemente jovem - de 26,5 anos de idade em média -, da qual grande parte é pobre ou desempregada.

O rei Mohammed VI faz parte da dinastia Alawite, cujos integrantes se dizem descendentes diretos do profeta Maomé e governam o Marrocos há 350 anos.

 

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