Após protestos, militares impõem toque de recolher em Mianmá

Em represália, Bush diz que os EUA vão tornar mais rígidas as sanções econômicas contra os líderes do regime

Agências internacionais,

25 de setembro de 2007 | 14h57

A junta militar responsável pelo governo de Mianmá decretou toque de recolher e agrupamentos de mais de cinco pessoas após os monges budistas incitarem mais um dia de protestos no país. Em resposta à medida, prevista para durar pelos próximos 60 dias, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, conclamou, nesta terça-feira, outros líderes para impor novas sanções econômicas ao país.   "Os Estados Unidos vão tornar mais rígidas as sanções econômicas contra os líderes do regime e contra os que dão apoio financeiro a eles", afirmou Bush em seu discurso anual diante da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).   Veja também:  Entenda a crise e o protesto dos monges Brasileiro relator da ONU pede ajuda internacional Monges budistas desafiam ditadura em Mianmá Em discurso na ONU, Bush anuncia sanções ao país Cinco caminhões de soldados foram vistos seguindo na direção de Rangum, a maior cidade de Mianmá, logo depois de dezenas de milhares de pessoas lideradas por monges budistas terem desafiado uma proibição e participado de uma nova passeata pacífica contra a junta militar que governo o país. Os monges assumiram nos últimos dias a liderança dos protestos contra o governo. Em Rangum, um líder religioso dirigiu-se ao público reafirmando que os protestos persistirão até que o governo peça desculpas por ter maltratado monges em uma manifestação ocorrida recentemente no norte do país. As passeatas dos últimos oito dias culminaram nos maiores protestos ocorridos em Rangum desde 1988, quando um levante pela democratização do país foi reprimido pelo Exército. A mobilização dos soldados ocorreu em meio a advertências da junta aos monges para que não participassem dos protestos e à população em geral que ficasse em casa ou corresse o risco de ir para a cadeia. Nesta terça, houve protestos liderados por monges em Rangum, Mandalay e Mogok. As estimativas variam entre 25.000 e 50.000 manifestantes. Na segunda, o número de participantes ficou próximo dos 100.000 na maior manifestação. O governo de Mianmá tem sido cauteloso ao lidar com a atual onda de protestos, aparentemente por considerar que atitudes vistas como abusivas ou desrespeitosas com relação aos monges provocarão revolta entre cidadãos comuns numa sociedade predominantemente budista e devota. Sanções americanas George W. Bush anunciou a imposição de novas sanções contra o regime militar de Mianmar, apoiando assim a maior onda de protestos surgida na nação nos últimos 20 anos. "Vamos ampliar a proibição de concessão de vistos aos responsáveis pelas mais terríveis violações dos direitos humanos", acrescentou, declarando que os norte-americanos estão "indignados" com os casos de abusos de direitos em Mianmar. O anúncio de Bush apareceu depois de 10 mil monges terem realizado uma passeata pelo centro da principal cidade de Mianmar, na terça-feira, desafiando uma ameaça feita pelos generais que governam o país de mobilizar as Forças Armadas para colocar fim às manifestações que questionam o regime da junta militar. Acusando o governo autoritário de Mianmar de manter um "reinado de 19 anos de medo", Bush disse: "As liberdades básicas de expressão, discurso e religião estão drasticamente restringidas. As minorias étnicas são perseguidas. São comuns casos de trabalho infantil, tráfico de seres humanos e estupro." O presidente dos EUA conclamou a "ONU e todos os países a usarem as pressões diplomáticas e econômicas a fim de ajudar o povo de Mianmar a reconquistar sua liberdade". Segundo Bush, as novas sanções do governo norte-americano pretendem "ajudar a provocar uma transição pacífica na Birmânia" (antigo nome de Mianmar). O Conselho de Segurança da ONU, porém, encontra-se dividido a respeito de que tipo de medida adotar em relação a Mianmar. Em janeiro, a China e a Rússia vetaram uma resolução determinando que Mianmar parasse de perseguir as minorias e os grupos de oposição e que adotasse medidas práticas para instalar um regime democrático. Os chineses e russos argumentaram que o Conselho de Segurança estava ultrapassando sua competência ao envolver-se com questões relativas aos direitos humanos e concernentes a outros órgãos.

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