Fernando Vergara/AP
Fernando Vergara/AP

Após protestos na Colômbia, Iván Duque pede retirada de reforma tributária

Projeto passará por reformulação e será apresentado novamente, sem as propostas mais polêmicas, diz governo

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2021 | 18h23

BOGOTÁ - O presidente da Colômbia, Iván Duque, pediu neste domingo, 2, ao Parlamento para retirar um projeto de reforma tributária que provocou protestos em todo o país, e reiterou que apresentará uma nova iniciativa excluindo as propostas mais polêmicas da anterior.

"Solicito ao Congresso da República a retirada do projeto apresentado pelo ministério da Fazenda e a tramitação em caráter de urgência de um novo projeto, fruto dos consensos, para assim evitar a incerteza financeira", disse em discurso, cercado da vice-presidente e de ministros.

Protestos tomaram as ruas das principais cidades do país desde a quarta-feira. Duque foi acusado de sacrificar a classe média em plena pandemia de covid-19. Na sexta-feira, o presidente conservador anunciou que reformularia o projeto, mas o anúncio não acalmou os manifestantes, que voltaram às ruas no sábado.

Neste domingo, Duque detalhou a nova proposta, que excluirá o aumento do IVA sobre bens e serviços e a ampliação da base de contribuintes ao imposto de renda, os pontos mais controversos da "Lei de solidariedade sustentável".

A reforma é necessária para "dar estabilidade fiscal ao país, proteger os programas sociais dos mais vulneráveis e gerar condições de crescimento depois dos efeitos provocados pela pandemia de covid-19", defendeu o presidente, que tem uma baixa popularidade (33%).

A nova lei, costurada com partidos políticos, setor privado e sociedade civil, se concentrará em taxar temporariamente as empresas e as classes sociais mais abastadas.

Entre outras coisas, a reforma terá uma tarifa temporária sobre a renda das empresas, um imposto sobre o patrimônio, os dividendos e pessoas de maior renda, assim como a aposta em aprofundar programas de austeridade do Estado, acrescentou.

Em 2020, o PIB da quarta maior economia da América Latina encolheu 6,8%, seu pior desempenho em meio século. O desemprego disparou para 16,8% em março e 3,5 milhões de pessoas caíram na pobreza em meio à crise econômica provocada pela pandemia.

Desde 6 de março de 2020, quase 2,9 milhões de pessoas contraíram o coronavírus no país; 74.215 morreram. /AFP

 

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