Neil Hall/EFE/EPA
Neil Hall/EFE/EPA

Após protestos, UE reverte plano de restringir exportações de vacinas na fronteira irlandesa

Bloco temia que passagem funcionasse como uma 'porta dos fundos' para o fornecimento de imunizantes para o Reino Unido

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2021 | 21h53

BRUXELAS -  A União Europeia desistiu nesta sexta-feira, 29, de usar medidas de emergência do Brexit para impedir que vacinas contra a covid-19 cruzassem a fronteira irlandesa com o Reino Unido.

Em uma escalada na batalha pelas vacinas, Bruxelas disse que acionaria cláusulas no Protocolo da Irlanda do Norte para evitar que os imunizantes passassem pela fronteira aberta entre a Irlanda, membro da UE, e o Reino Unido, que deixou o bloco no ano passado.

O anúncio foi seguido por protestos em Londres, Belfast e Dublin. Pouco antes da meia-noite (horário local, 20h no Brasil), a UE publicou um comunicado assegurando que o Protocolo da Irlanda do Norte, projetado para manter a fronteira aberta, não seria afetado. O bloco advertiu, no entanto, que "utilizará todos os instrumentos de que dispõe" caso as vacinas e as substâncias ativas cheguem a países terceiros.

A Irlanda disse que a mudança de atitude da UE é bem-vinda, mas que lições devem ser aprendidas.

"O Protocolo não é algo a ser adulterado levianamente, é um compromisso essencial e difícil de conquistar, protegendo a paz e o comércio para muitos", disse o ministro irlandês das Relações Exteriores, Simon Coveney, no Twitter.

Os sindicalistas da Irlanda do Norte consideram o plano original da UE um ato de hostilidade.

Em um tuíte publicado na noite de sexta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que havia falado com  o premiê britânico Boris Johnson. "Nós concordamos com o princípio de que não deve haver restrições à exportação de vacinas por empresas onde estão cumprindo responsabilidades contratuais", escreveu.

Batalha

A campanha de vacinação em massa mais rápida da história está alimentando tensões em todo o mundo, à medida que grandes potências compram doses a granel e nações mais pobres tentam navegar em um campo minado financeiro e diplomático para coletar os suprimentos que sobram.

A UE, cujos Estados-membros estão muito atrás de Israel, Grã-Bretanha e Estados Unidos na distribuição de vacinas, está lutando para conseguir suprimentos, enquanto as maiores farmacêuticas do Ocidente atrasam as entregas ao bloco por causa de problemas de produção.

A farmacêutica sueco-britânica AstraZeneca entrou na mira do bloco após dizer, na semana passada, que não entregaria as vacinas prometidas à UE por problemas de produção na Bélgica. Agora, Bruxelas exige saber por que a empresa não consegue realocar suprimentos de suas instalações britânicas.

Preservar a delicada paz na Irlanda do Norte sem permitir ao Reino Unido uma porta dos fundos para os mercados da UE através da fronteira terrestre foi uma das questões mais espinhosas do acordo do Brexit. /REUTERS

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