Após prova nuclear, Pequim sobe tom com Coreia do Norte

Principal aliada do regime de Pyongyang apresenta protestos formais, sinal de que pode dar aval para sanções mais duras

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2013 | 02h05

Principal aliada da Coreia do Norte, a China adotou ontem um tom inédito ao condenar o terceiro teste nuclear e o lançamento de um foguete pelo regime de Pyongyang, na terça-feira. A chancelaria chinesa, em meio a sinais de que apoiará na ONU sanções mais duras contra o regime norte-coreano, divulgou uma nota na qual expressava "firme oposição" às demonstrações de força e apresentou protestos formais ao embaixador do país em Pequim.

A agência chinesa de notícias Xinhua, controlada pelo governo, disse que foi "imprudente" o teste nuclear e o disparo do foguete, qualificando a reação de Pequim contra sua aliada de "sem precedentes". O Wen Wei Po, jornal de Hong Kong alinhado ao governo da China, disse que a potência asiática "fez o máximo" para impedir as provocações norte-coreanas.

Americanos, europeus e seus aliados na Ásia querem o apoio da China no Conselho de Segurança das Nações Unidas para aprovar um pacote de sanções adicionais contra a Coreia do Norte. As medidas incluiriam a proibição de compra de componentes para centrífugas nucleares e uma ampliação do cerco a transações bancárias, além de inspeções mais intrusivas a navios com destino ao país.

Ontem, o novo secretário de Estado dos EUA, John Kerry, pediu que a comunidade internacional adote uma resposta "rápida e firme" contra a ditadura de Kim Jong-un. Para Kerry, as ações tomadas contra o regime norte-coreano servirão de lição para outros países que buscariam desenvolver tecnologia nuclear com fins militares, como o Irã.

O teste atômico subterrâneo conduzido pela Coreia do Norte demonstraria que o regime está cada vez mais perto de se tornar uma verdadeira potência nuclear, com capacidade de desferir, em breve, um ataque real contra seus inimigos.

Entretanto, dificilmente será possível para agências de inteligência concluir se a Coreia do Norte será capaz de produzir um artefato nuclear capaz de ser colocado dentro de um ogiva - último passo para produzir armas atômicas.

A imprensa estatal de Pyongyang afirmou que o teste foi "perfeito". No entanto, os inimigos da Coreia do Norte - principalmente EUA, Japão e a Coreia do Sul - tentam agora entender o que ocorreu exatamente na terça-feira. Ainda não está claro, por exemplo, se a explosão foi provocada por um artefato de plutônio, como os usados nos testes de 2006 e de 2009, ou por um de urânio enriquecido.

Com essas informações, será possível entender melhor o funcionamento do programa norte-coreano, de acordo com especialistas. Momentos após a notícia do teste, caças japoneses colheram amostras de ar na atmosfera para analisar a quantidade de radiação liberada. Joseph De Trani, ex-diretor do National Counterproliferation Center, dos EUA, afirmou que a inteligência americana levará entre um e três dias para determinar o tamanho da explosão e o tipo de artefato usado.

Ameaças. O teste de Pyongyang exaltou os ânimos na região, colocando Seul em seu mais alto nível de alerta. O presidente eleito da Coreia do Sul, Park Geun-hye, afirmou ontem que a busca por armas nucleares levará à "autodestruição do regime norte-coreano". "Armas nucleares não impediram a queda da União Soviética", afirmou.

O presidente dos EUA, Barack Obama, conversou ontem por telefone com seu colega sul-coreano que está de saída, Lee Myung-bak. Em seguida, a Casa Branca reafirmou, em nota, que a Coreia do Sul está sob a proteção nuclear dos EUA na Ásia. / NYT e REUTERS

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