Após quatro anos, Fidel participa de programa de TV

Um dia após a divulgação de fotos de uma aparição pública do líder cubano, ele fala sobre o Oriente Médio no 'Mesa Redonda'

Reuters, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2010 | 00h00

HAVANA

O ex-presidente cubano Fidel Castro fez ontem seu primeiro pronunciamento televisionado desde que foi forçado, por problemas de saúde, a transferir os poderes do Estado para seu irmão Raúl, há quatro anos. Fidel, que completa 84 anos no próximo mês, participou do programa Mesa Redonda, que durou 1 hora e 15 minutos e foi transmitido por diversas emissoras de TV e rádio em Cuba.

Em uma entrevista aparentemente gravada, ele falou ? lentamente, mas com fluidez ? sobre o risco de conflitos no Oriente Médio e na Península da Coreia. Vestido com um agasalho esportivo azul escuro e uma camisa xadrez, Fidel parecia relaxado.

Segundo o ex-presidente, um avanço do conflito no Oriente Médio levará a um ataque nuclear dos EUA e de Israel ao Irã. "O pior é a resistência que encontrarão, algo que não tiveram no caso do Iraque, afirmou Fidel, lembrando que Cuba esteve sob risco de um bombardeio atômico em 1962.

A aparição televisiva do líder cubano coincide um momento de apreensão em Cuba, dias após Raúl prometer soltar 52 presos políticos. No domingo, sites cubanos haviam divulgado fotos da primeira aparição pública de Fidel desde 2006 ? uma visita feita ao Centro Nacional de Investigações Científicas na quarta-feira.

Após 47 anos à frente do governo, Fidel submeteu-se a uma complexa cirurgia no intestino em 2006. Em 2008, ele disse que não se candidataria a um novo mandato de presidente, transferindo definitivamente o cargo para Raúl.

Ele continuava ativo politicamente escrevendo colunas no Granma. Mas nos últimos anos haviam ganhado força os rumores de que já estaria morto. Com a aparição de ontem, segundo analistas, Fidel não só desmente rumores como dá a entender que segue dando as cartas na ilha.

Disputa internacional. Antes de adoecer, Fidel costumava aparecer com frequência no Mesa Redonda. O programa foi criado durante a disputa entre exilados em Miami e cubanos na ilha pela guarda do garoto Elián González, que naufragou com a mãe a caminho da Flórida.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.