EFE/EPA/STR
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Após reabertura, aumento de casos força governos a retomarem confinamento parcial

Cidades em diferentes continentes voltam a fechar após reabertura e disseminação do vírus

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2020 | 10h53
Atualizado 16 de julho de 2020 | 10h02

Após reaberturas depois de meses de distancimento social, cidades na Europa, na América Latina, nos Estados Unidos e Ásia voltaram a realizar a confinamentos parciais para evitar a disseminação do novo coronavírus. 

Na Índia, o segundo país mais populoso do mundo, o governo determinou o confinamento de 133 milhões de pessoas nesta terça-feira, 14. Uma das principais cidades afetadas é a metrópole de Bangalore, o principal centro tecnológico do país de 1,3 bilhão de habitantes. A Índia registra 906 mil casos do vírus e mais de 23 mil mortos. 

Locais de culto, transporte público, escritórios do governo e a maioria das lojas ficará fechada por uma semana e as pessoas não devem sair de casa, apenas para atividades essenciais. Escolas, faculdades e restaurantes também ficarão fechados. Embora os casos estejam mais concentrados nas metrópoles de Mumbai e Nova Délhi, as infecções aumentam em cidades menores, forçando as autoridades a impor novamente as restrições. Também há confinamento no norte do país, no Estado de Bihar.

Bangalore tinha apenas cerca de mil casos de coronavírus em meados de junho, mas as infecções cresceram para quase 20 mil nesta semana, algo que especialistas em saúde atribuíram ao levantamento das restrições quando o governo encerrou um lockdown nacional que havia deixado milhões de pessoas sem trabalho. 

A capital da China, Pequim, também impôs sérias restrições nas últimas semanas em várias regiões da cidade após detectar novos casos em um importamte mercado de abastecimento. A cidade de Hong Kong vai impor novas medidas de distanciamento social rigorosas a partir desta terça, as mais duras adotadas desde o surgimento do coronavírus. As autoridades alertam que o risco de um surto de larga escala é extremamente alto.

A cidade sob controle chinês registrou 48 casos novos de coronavírus na terça, incluindo 40 que foram transmitidos localmente. Desde o final de janeiro, Hong Kong já registrou mais de 1.500 casos e oito mortes. As novas medidas tornam o uso de máscaras obrigatório para pessoas que utilizarem o transporte público, e os restaurantes não oferecerão mais serviços no local, somente entregas.  

Ambas são regras novas que não foram implantadas durante a primeira e a segunda ondas de coronavírus mais cedo neste ano. Se uma pessoa não usar máscara no transporte público, enfrentará uma multa equivalente a 645 dólares.

Estados Unidos 

Nos Estados Unidos, o avanço do vírus fez a Califórnia, estado mais populoso do país, fechar salões de restaurantes, bares e cinemas, além de igrejas, academias de ginástica, shopping centers e salões de beleza nos 30 condados mais afetados do estado, inclusive Los Angeles. A medida se dá em meio a um intenso debate sobre as medidas restritivas entre autoridades políticas e de diferentes jurisdições. 

As discussões e as pressões do governo Donald Trump para a retomada das atividades impediram uma resposta coerente diante do avanço do vírus, que bate recorde de contágios diários em estados como Flórida e Texas nos últimos dias. Autoridades de Houston, a maior cidade do Texas, pediram um novo confinamento depois da detecção de 1.600 novos casos em 24 horas. O governador do estado, o republicano Greg Abbott, não cedeu.

Na Flórida, mais de 15 mil novos casos foram registrados no domingo, um recorde, e a mortalidade também começa a aumentar. Na segunda, os novos casos somavam 12.624. O governador republicano Ron DeSantis reagiu fechando bares, mas se recusa a impor o uso de máscaras ou a decretar novos confinamentos na Flórida, deixando a decisão para os responsáveis pelas cidades e condados. 

Califórnia, Texas e Flórida registraram 892 mil casos desde o início da pandemia, de acordo com um levantamento do jornal The New York Times. Na segunda, registraram pelo menos 30 mil novos casos - 18% do total mundial. 

Em Miami, o número de pacientes em terapia intensiva pelo coronavírus já é sete vezes maior que em abril, segundo o prefeito. No condado de Miami-Dade, onde vivem 2,7 milhões de habitantes, um terço dos testes foram positivos na semana passada. 

América Latina 

Na Argentina, milhões de habitantes da capital Buenos Aires voltaram ao isolamento após aumento de casos. As infecções cresceram com a chegada do inverno e o governo reverteu a reabertura - para desespero de quem ficou mais de 100 dias confinado. 

A epidemia, que estava concentrada na região metropolitana da capital, onde vivem 16 milhões de pessoas e estão 80% dos casos, começou a se espalhar para o interior, obrigando os governos das províncias a fechar também bares e restaurantes. 

A Colômbia também registra um aumento de casos "alarmante", segundo as autoridades, e quase 3,5 milhões de pessoas retornaram na segunda-feira a uma quarentena estrita. Nesta semana, a América Latina superou a América do Norte em casos de mortes, chegando a quase 145 mil. 

Europa 

A Alemanha determinou, no fim de junho, um confinamento local após identificar centenas de casos em um dos maiores frigoríficos do país. Na Espanha, que registra 28.400 mortes provocadas pelo vírus, quase 200 mil pessoas na cidade de Lérida e seus arredores, na Catalunha, devem seguir um confinamento domiciliar. A medida provocou uma disputa entre o governo regional, decidido a aplicá-la, e a justiça, que suspendeu a medida.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já advertiu que o planeta não voltará ao normal no futuro próximo e fez mais um apelo de combate ao vírus, "o inimigo público número um, embora as ações de muitos governos e pessoas não demonstrem" o cenário, nas palavras de seu diretor geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus. / AFP, Reuters e NYT

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