EFE/EPA/JEON HEON-KYUN
EFE/EPA/JEON HEON-KYUN

Após reaberturas, pandemia avança em 37 países nesta semana

Relatório mostra que países dos cinco continentes que diminuíram medidas de distanciamento social tiveram avanços nos casos de coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2020 | 15h32

LONDRES - Quase 40 países relataram recordes de novas infecções por coronavírus em um único dia nesta semana, informou um relatório da agência de notícias Reuters que mostra um aumento na pandemia em todas as regiões do planeta. A taxa de casos aumentou não apenas em países como Estados Unidos, Brasil e Índia, que dominam as manchetes, mas também na Austrália, Japão, Hong Kong, Coreia do Sul, Bolívia, Sudão, México, Etiópia, Bulgária, Quênia, Bélgica, Uzbequistão e Israel, entre outros.

Muitos países, especialmente aqueles em que as autoridades diminuíram as medidas de distanciamento social, enfrentam um segundo pico mais de um mês após registrar o primeiro. “Não voltaremos ao ‘velho normal’. A pandemia já mudou a maneira como vivemos nossas vidas”, disse o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. "Estamos pedindo a todos que tratem as decisões sobre onde vão, o que fazem e com quem se encontram como decisões de vida ou morte - porque são". 

Os dados compilados a partir de relatórios oficiais mostram aumento constante no número de países que relatam avanços diários do vírus. Pelo menos sete países registram aumentos há três semanas, enquanto 13 tiveram elevações há duas semanas. Na semana passada, foram 20 nações que tiveram aumentos diários e, nesta semana, o número chegou a 37.

Para este relatório, os dados da Reuters foram restritos a países que fornecem números diários regulares. Os números reais de casos e mortes são quase certamente subnotificados, principalmente em países com sistemas de saúde mais pobres, dizem especialistas e autoridades de saúde.

Os Estados Unidos continuam no topo da lista de casos, totalizando mais de 4,1 milhões e registrando mais de 1 mil mortes por quatro dias consecutivos nesta semana. O total de mortes superou 146 mil. Brasil e a Índia continuam avançando. O Brasil tem 2,3 milhões de casos e superou as 85 mil mortes. E a Índia tem 1,3 milhão de casos, com 31 mil mortes, com grande crescimento de contaminações após a reabertura de um lockdown restrito.  

Segunda onda

Os dados revelam um número crescente de casos ressurgentes em países de todas as regiões. Na Austrália, as autoridades aplicaram um confinamento parcial de seis semanas e tornaram obrigatórias as máscaras para os residentes na segunda maior cidade do país, Melbourne, após um novo surto.

Austrália e Japão alertaram para o aumento de infecções entre jovens, muitos dos quais comemoraram o fim das restrições sociais em bares e festas. A Coreia do Sul registrou seu maior número de casos em quase quatro meses neste sábado. O país documentou 113 novos casos, incluindo 86 entre pessoas que vieram do exterior. Desde 1º de abril não eram relatados mais de 100 casos diários. 

O México também registrou um recorde diário esta semana e tem o quarto maior número de mortes do mundo. Lá, as autoridades alertaram que uma tendência de queda nos números de casos que começou em junho pode ser revertida.

Com base na taxa de internações hospitalares na semana passada, os níveis de internação até outubro podem exceder os registrados em junho, o auge da pandemia, disse a prefeita da Cidade do México, Claudia Sheinbaum. “É importante reconhecer que, se não mudarmos a tendência, poderá haver um crescimento exponencial”, afirmou.

Na Europa, onde as férias de verão estão em pleno andamento, é provável que um novo recorde diário na Espanha impeça os turistas de visitar um dos destinos mais populares do continente.

Na África, o Quênia registrou um número recorde diário de casos menos de duas semanas após a reabertura das atividades, incluindo para voos domésticos de passageiros. O presidente Uhuru Kenyatta, que anunciou a retomada dos vôos internacionais em 1º de agosto, convocou autoridades para uma reunião de emergência na segunda-feira para discutir o aumento de casos.

No Oriente Médio, Omã impôs novas restrições que começam no sábado, além de um bloqueio de duas semanas que se sobreporá à festa islâmica de Eid al-Adha, depois de relatar um número recorde de casos. / Reuters 

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