Damien Meyer/AFP
Damien Meyer/AFP

Após reabrir 40 mil escolas, França fecha unidades com novos infectados 

Pelo menos 70 casos de covid-19 foram diagnosticados depois do retorno às aulas; governo, no entanto, mantém plano de retorno dos estudantes e 185 mil alunos do segundo grau retomaram as suas atividades

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2020 | 20h02

PARIS - Uma semana após a volta às aulas de um terço das crianças na França, o governo mapeou 70 novos casos de coronavírus em 7 escolas reabertas e decidiu fechá-las como precaução. Pelo menos 150 mil alunos de 40 mil unidades – entre creches e ensino fundamental – voltaram às aulas na semana passada e o governo defende a retomada mesmo com a notificação dos casos nos colégios. 

Nesta segunda-feira, 18, outros 185 mil estudantes do segundo grau também retornaram para a escola – o país tem pelo menos 500 mil matriculados em todos os níveis escolares. O restante deve retornar ao ano letivo até a próxima semana.

Em entrevista à rádio RTL, o ministro da Educação da França, Jean-Michel Blanquer, disse que a manutenção do plano de reabertura é fundamental. Segundo ele, toda a proposta para a retomada das aulas foi amparada em abordagens de médicos e pediatras e “as consequências de não ir à escola seriam muito mais sérias”. 

“Isso causaria danos consideráveis, psicológicos, alimentares, de saúde e, em seguida, haverá a questão do abandono (escolar). Minha grande preocupação são aquelas (crianças) sobre as quais não temos mais notícias. Ir à escola não é um assunto secundário. Esperar o vírus desaparecer seria loucura para a nossa sociedade”, defendeu. 

Blanquer não especificou se os 70 casos de covid-19 estavam entre estudantes ou professores. A imprensa francesa informou que todos as notificações foram detectadas no norte do país, sem esclarecer em quais cidades. 

“Temos de acostumar a sociedade a ir à escola”, disse o ministro à RTL hoje. “É absolutamente essencial que nossos filhos não sejam vítimas colaterais das condições sanitárias do país”, afirmou o ministro.

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As novas notificações de casos de alunos que retornaram às aulas trouxeram preocupação extra às autoridades de saúde, pois o país registrou, na semana passada, a primeira morte de uma criança com uma infecção rara, chamada Síndrome de Kawasaki, que pode ter sido desencadeada pela covid-19.

De acordo com o jornal Le Monde, porém, o governo considera que o isolamento de regiões onde aparecerem novos casos é a forma mais eficiente de retomar as atividades com um risco mínimo para a população. 

As autoridades francesas, informou o jornal, citaram o caso de dois matadouros que apareceram como novas fontes de contaminação e foram rapidamente isolados, em Fleury-les-Aubrais, no Departamento de Loiret, onde foram identificados 54 casos de coronavírus, e em Saint-Brieuc, no Departamento de Côtes-d’Armor, onde foram confirmadas 69 notificações na doença. 

“Desde a semana passada, identificamos 25 grupos (de pessoas contaminadas) em nosso território. O sistema criado para testar, isolar e quebrar as cadeias de contaminação está operacional”, disse o ministro da Saúde, Olivier Véran, ao Journal du Dimanche.

Segundo as estatísticas divulgadas esta noite pelo governo e publicadas pelo Le Monde, há uma tendência de desaceleração da pandemia. Uma semana após o levantamento das ordens de confinamento, a França registrou 131 mortes em 24 horas, incluindo 8 em asilos entre domingo e segunda-feira – o país já teve picos de mais de 700 óbitos em um só dia. 

No entanto, os cientistas concordam que nenhuma avaliação sobre a forma como a França tem conduzido seu plano de desconfinamento pode ser feita por pelo menos as próximas duas semanas.

Até hoje, as autoridades francesas relatavam pelo menos 142.411 pessoas infectadas com o coronavírus e 28.108 mortes em todo o país. / AFP e REUTERS

 

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