Após reeleição de Obama, líder israelense busca reaproximação

Depois de apoiar Romney, Netanyahu lança ofensiva diplomática para reparar relação difícil com presidente democrata

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2012 | 02h01

Nos últimos anos, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, confrontou ou mesmo menosprezou o presidente Barack Obama, chegando até a expressar apoio ao rival do presidente na eleição, o republicano Mitt Romney. Mas Netanyahu despertou na quarta-feira sabendo que seu amigo republicano tinha sido derrotado e agindo com rapidez para reparar os laços com o democrata reeleito.

Netanyahu cumprimentou o embaixador americano pela vitória de Obama e emitiu um comunicado declarando que o vínculo entre as duas nações é "sólido como uma rocha". Ele ainda pediu a líderes de seu partido, o Likud, que cessassem as críticas a Obama.

A relação estremecida de Netanyahu com Obama pode acabar sendo mais do que uma dor de cabeça política temporária. Líderes e analistas israelenses temem que o primeiro-ministro tenha prejudicado sua capacidade de influenciar Washington em questões políticas vitais, particularmente a ameaça nuclear iraniana e o conflito palestino-israelense.

Na prática, Jerusalém receia que Washington possa concordar com negociações diretas com Teerã e se mostrar condescendente com a campanha da Autoridade Palestina por reconhecimento como membro pleno das Nações Unidas

A reeleição de Obama parece ter encorajado o ex-primeiro-ministro Ehud Olmert, que passou os últimos anos se defendendo de acusações de corrupção e pode tentar um retorno ao governo em janeiro para aglutinar uma coalizão a centro-esquerda.

"Diante do que Netanyahu fez nos últimos meses, a pergunta é esta: nosso primeiro-ministro ainda tem algum amigo na Casa Branca?". Foi a questão levantada por Olmert numa reunião de líderes judaicos em Nova York. "Não estou certo e isso pode ser muito significativo para nós em questões cruciais."

Poucos acreditam que Obama adotará alguma medida para punir Netanyahu, mas a relação conhecidamente tensa entre os dois políticos pode prejudicar os esforços para se coordenar as prioridades. E livre das preocupações eleitorais, o presidente no seu segundo mandato poderá estar mais propenso a seguir o próprio caminho sem se preocupar com alguma reação do poderoso e endinheirado lobby pró-israelense em Washington.

Na questão iraniana, a preocupação imediata é a de que a Casa Branca, insistindo nas conversações bilaterais, possa estender o prazo para as tentativas diplomáticas, mesmo que a "linha vermelha" traçada por Netanyahu para impedir o Irã de desenvolver armas nucleares seja atingida.

Segundo vários analistas, Obama reluta em autorizar uma nova operação militar no Oriente Médio. Uma das grandes frases no seu discurso da vitória foi quando declarou que "uma década de guerra está acabando".

Quanto aos palestinos, as autoridades israelenses estavam contando que o governo Obama se oporia ao pedido de inclusão da Palestina como membro pleno da ONU. / NYT

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