Após referendo, separatistas da Ucrânia buscam aproximação com a Rússia

Moscou anunciou que respeitava a decisão da população de Donetsk e Luhansk, mas não defendeu anexação imediata, como no caso da Crimeia, em março

12 Maio 2014 | 17h41

MOSCOU - Separatistas pró-Moscou do leste ucraniano manifestaram nesta segunda-feira, 12, a intenção de buscar a anexação de suas regiões à Rússia, um dia depois de aprovarem, por referendo, a independência de Kiev. Mas diferentemente do caso da Crimeia, a Rússia evitou endossar a anexação imediata de Donetsk e Luhansk.

Os insurgentes declararam que as votações de domingo mostraram o “apoio esmagador” da população por autonomia. Em uma das duas províncias, Donetsk, os líderes separatistas disseram, segundo a imprensa russa, que queriam, como próximo passo, a anexação à Rússia.

“As pessoas de Donetsk sempre fizeram parte do mundo russo. Para nós, a história da Rússia é a nossa história”, declarou Denis Pushilin, alto dirigente da República Popular de Donetsk. Ele informou, porém, que não havia ainda planos para um novo referendo. Os ativistas pró-Rússia disseram ter obtido mais de 80% de apoio para a autonomia no referendo de domingo, que as autoridades de Kiev qualificaram como uma farsa.

Na vizinha Luhansk, a liderança do movimento separatista afirmou que poderia em breve realizar uma nova votação relativa à anexação à Moscou, similar à que foi realizada na Crimeia, no dia 17 de março.

Mas autoridades em Moscou, no entanto, evitaram qualquer sugestão de que tratariam os resultados de domingo da mesma maneira que fizeram com o referendo da Península da Crimeia. Naquela ocasião, em 48 horas após a votação, o presidente russo, Vladimir Putin, fez um discurso dizendo que a Rússia anexaria a Crimeia.  

Dessa vez, o Kremlin emitiu uma declaração dizendo apenas que  “respeitava o desejo das populações das regiões de Donetsk e Luhansk” e que o que viria a seguir deveria ser alcançado por meio do diálogo entre os representantes do leste e do governo nacional em Kiev, de acordo com a agência russa Interfax. Na semana passada, o presidente russo chegou a pedir que os separatistas adiassem os referendos. / NYT e REUTERS

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