Após renúncia de Abe, começa disputa pelo governo do Japão

Partido Liberal Democrata se reúne no dia 19 de setembro para escolher novo presidente, que torna-se premiê

CHISA FUJIOKA, REUTERS

13 de setembro de 2007 | 09h46

O ministro de Finanças do Japão, Fukushiro Nukaga, abriu na quinta-feira a disputa interna do seu partido pela sucessão do primeiro-ministro Shinzo Abe, que renunciou repentinamente na véspera.  Veja também: Após renunciar, Shinzo Abe é internadoO Partido Liberal Democrático (PLD) marcou para o dia 23 a eleição de seu novo presidente -- que será também primeiro-ministro do Japão. A data anteriormente prevista, 19 de setembro, foi abandonada para dar mais tempo à campanha interna. "Para reverter esta adversidade em oportunidade, precisamos buscar candidatos de um espectro mais amplo. Trata-se de uma oportunidade de ouro para levar as mensagens dos candidatos aos membros do partido e também ao povo", disse o ex-secretário-geral do PLD Tsutomu Takebe, que defendia o adiamento. Abe passou um ano no cargo, período marcado por escândalos, polêmicas políticas e uma desastrosa derrota na eleição para o Senado, em julho. Mas a repentina demissão dele foi criticada por analistas que temem um período de confusão que prejudique decisões a respeito de temas vitais, como reformas fiscal e tributária. "Acho que é responsabilidade e dever de um político enfrentar este momento difícil com determinação. Quero assumir a liderança", declarou Nukaga, 63 anos, primeiro a formalizar sua candidatura. Ele já havia ocupado as pastas de Defesa e Economia, mas teve de renunciar duas vezes por causa de escândalos. Apesar disso, ainda no mês passado foi um dos vários veteranos chamados por Abe numa reforma ministerial. Abe disse que deixa o cargo para facilitar o entendimento com a oposição a respeito do apoio logístico que o Japão fornece aos EUA na guerra do Afeganistão, missão que expira em 1o. de novembro. Mas um médico que o trata disse em entrevista coletiva que o premiê -- agora interino -- sofre de um distúrbio gastrintestinal agravado pelo estresse e a exaustão, e que ele deve passar três ou quatro dias internado. O secretário-geral do PLD, Taro Aso, é apontado como favorito na disputa, apesar de suas ligações estreitas com Abe e de seu passado de gafes. Outros nomes citados são os do ex-ministro de Finanças Sadakazu Tanigaki e do veterano membro do partido Taku Yamasaki. O ex-premiê Junichiro Koizumi, antecessor de Abe, negou terminantemente que seja candidato. Os mercados financeiros permaneceram estáveis, apesar da incerteza política. O novo líder deve guiar o PLD até a próxima eleição geral para a Câmara Baixa do Parlamento, prevista apenas para 2009 -- embora analistas não descartem uma antecipação diante do cenário político. "Quem se tornar primeiro-ministro será temporário, e a confiança da opinião pública deve ser avaliada com uma eleição geral", disse a jornalistas Yukio Hatoyama, vice-presidente do Partido Democrático, o principal da oposição, majoritário no Senado. (Com reportagem de Isabel Reynolds, Sumio Ito, George Nishiyama e Teruaki Ueno)

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