Após renúncia de Mubarak, Israel pede respeito a acordo de paz

UE elogia movimento pró-democracia no Egito; Obama deve fazer discurso sobre a queda às 16h30

Estadão.com.br

11 de fevereiro de 2011 | 15h24

 

 

JERUSALÉM - O governo de Israel disse nesta sexta-feira, 11, que espera a manutenção do acordo de paz de Camp David com o Egito, após a renúncia do ditador Hosni Mubarak. A União Europeia parabenizou o Egito pelo movimento pró-democracia. O presidente americano, Barack Obama, deve se pronunciar às 16h30. 

 

 

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"Ainda é cedo para prever como a renúncia afetará as coisas", disse um membro do governo à agência Reuters. "Esperamos que a mudança rumo à democracia no Egito aconteça sem violência e que o acordo de paz seja respeitado".  O acordo, assinado em 1978, pôs fim a anos de hostilidade entre os dois países e prevê a desmilitarização com a península do Sinai.

 

A chefe da Política Externa da UE, Catherine Ashton, disse que, ao resignar, Mubarak "ouviu as vozes do povo egípcio e abriu caminho para reformar mais rápidas e profundas". Ashton disse que "é importante agora que o diálogo seja acelerado para conduzir a um governo de base ampla."

 

EUA. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fará um pronunciamento às 16h30 (horário de Brasília) sobre a renúncia de Mubarak, informou a Casa Branca. "O presidente foi informado da decisão do presidente Mubarak de renunciar, durante uma reunião no Salão Oval. Ele acompanhou pela TV a cobertura dos acontecimentos no Cairo por vários minutos", disse o porta-voz da Casa Branca, Tommy Vietor.

 

O vice-presidente americano, Joe Biden, disseque a mudança de poder no Egito era um momento "crucial" na história para aquele país e o Oriente Médio.  Ele disse que a transição de poder no Egito deve ser uma mudança "irreversível".

 

Veja a repercussão em outros países e entidades:

Reino Unido: O premiê britânico, David Cameron pediu que o Egito caminhe rumo à um regime democrático após a renúncia de Mubarak. "Hoje é um dia extraordinário, particularmente para quem está na praça Tahrir e em outros lugares de forma tão valente e pacífica", disse.

Irã: O porta-voz da chancelaria iraniana, Ramin Mehmanparast, disse que a renúncia mostra a derrota daqueles que se submetem aos desejos das grandes potências. "As conquistas da grande nação egípcia frente aos irresponsáveis que dependiam das grandes potências é uma grande vitória", disse.

 

ONU: O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que a voz do povo foi ouvida. "Escutaram a voz do povo egípcio, especialmente os jovens, e depende deles agora determinar os destinos do país", disse.

 

Hamas: O movimento islâmico, que controla a Faixa de Gaza, pediu que as novas lideranças do Egito "suspendam o cerco contra Gaza e abram a passagem de Rafah para assegurar o livre movimento entre o Egito e a Palestina e para iniciar o desenvolvimento e a construção de Gaza". O território palestinos faz fronteira com a região do Sinai, no Egito.

 

Hezbollah: Em um comunicado, o Hezbollah parabenizou o povo egípcio pela “histórica vitória com a revolução”. Um porta-voz do grupo disse que o Hezbollah aplaude “a unidade do povo egípcio, jovens e velhos, homens e mulheres que mostraram que o sangue é mais forte que a espada”.

 

China: Pequim "entende e apoia os esforços do Egito para manter a estabilidade social e restaurar a ordem" e acredita que "os assuntos internos do país devem ser decididos sem a interferência do exterior", segundo um porta-voz do Ministério de Exteriores.

 

Jordânia: O ministro de Exteriores, Nasser Judeh, disse que o Egito é "um pilar para a região" e desejou "estabilidade, segurança e prosperidade". No Twitter, ele disse que a Jordânia "respeita a liberdade de escolha" dos egípcios e confia que os militares levarão o país a "uma nova era".

 

França: O presidente francês, Nicolas Sarkozy, elogiou o "momento histórico" no Egito e também a decisão de Mubarak de renunciar. Sarkozy pediu que os egípcios "continuem no caminho pacífico para a liberdade".

 

Itália: O ministro de Exteriores italiano, Franco Frattini, considerou as mudanças políticas no Egito como um fato importante para o povo e suas aspirações democráticas.

 

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