Gaston Brito/Reuters
Gaston Brito/Reuters

Após repressão, Justiça pode convocar Evo

Promotor abre investigação penal para determinar responsabilidades pela violência contra indígenas

O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2011 | 10h36

LA PAZ - O promotor-geral da Bolívia, Mario Uribe, anunciou ontem o início de uma investigação penal contra o ex-ministro de Interior Sacha Llorenti e os policiais que participaram da repressão contra a marcha indígena no fim de semana.

O anúncio foi feito no mesmo dia em que milhares de trabalhadores foram às ruas de La Paz e outras grandes cidades da Bolívia para apoiar os indígenas contra a construção de uma estrada - levada adiante pela empreiteira brasileira OAS e financiada pelo BNDES - numa reserva florestal. Uribe não descartou a hipótese de convocar o presidente boliviano, Evo Morales, para depoimento.
 
O promotor afirmou ainda que o Ministério Público não tem informações sobre mortos ou feridos pela violência policial no fim de semana, como denunciam à imprensa indígenas e ativistas. Ele disse ainda que não está claro de quem foi a ordem de atacar a marcha. Diante dos protestos, Evo anunciou a suspensão da obra na segunda-feira.
 
Llorenti disse que a operação policial foi solicitada pela Justiça. Na terça, afirmou que a ordem de ataque não partira dele nem de Evo, mas do vice-ministro de Interior Marcos Farfán, que também deixou o cargo. Em sua carta de demissão, Farfán negou ter autorizado o ataque e disse que deixou o cargo por não concordar com o uso da violência contra os manifestantes.
 
Apoio aos índios. Milhares de mineiros sindicalizados, estudantes e trabalhadores dos setores de saúde, educação e da construção civil atenderam à convocação de greve geral feita pela Central Operária Boliviana (COB), uma das maiores do país, em apoio aos indígenas e contra a estrada que vai dividir em dois o Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis). Uma nova paralisação foi convocada para amanhã. Os manifestantes pediram ainda a renúncia do ministro da Presidência Carlos Romero; de Obras Públicas, Wálter Delgadillo, e do chanceler David Choquehuanca, que teria sido forçado a marchar com os índios no fim de semana. Segundo o grupo, os três ministros não se empenharam o suficiente para solucionar o conflito.
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