REUTERS/Alkis Konstantinidis
REUTERS/Alkis Konstantinidis

Após repressão na Hungria, migrantes mudam de rota e seguem para a Croácia

Grupos chegam em ônibus em Sid, cidade sérvia próxima à fronteira; premiê croata garante que refugiados poderão seguir viagem 

O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2015 | 08h43

(Atualizada às 10h25) SID, SÉRVIA - A repressão húngara na fronteira com a Sérvia mudou os planos de imigrantes que tentam alcançar países da União Europeia e forçou muitos a considerar novas rotas nesta quarta-feira, 16, principalmente em direção à Croácia, ameaçando um efeito dominó que poderia levar mais países do continente a entrarem em crise.

Centenas de pessoas ainda esperam para cruzar a fronteira - muitos em tendas ou enrolados em sacos de dormir - no lado da Sérvia. A polícia húngara manteve a rodovia mais importante que cruza os países fechada, selando a fronteira para o fluxo de milhares de imigrantes que se dirigiam diariamente para os países mais ricos da União Europeia e mais acolhedores.

A decisão levou a Croácia, que é vizinha da Hungria e da Sérvia, a se preparar para a chegada de imigrantes que estavam esperando para atravessar a fronteira. 

O primeiro-ministro croata, Zoran Milanovic, disse que seu país iria lidar com os imigrantes ou encaminhá-los mais ao norte, principalmente para a Alemanha e à Suécia, onde muitos esperam procurar asilo. "Estamos prontos para aceitar e direcionar essas pessoas", disse Milanovic. Eles "poderão passar pela Croácia e estamos trabalhando intensamente para permitir isso."

Cerca de 150 imigrantes atravessaram a fronteira da Sérvia para a Croácia durante a noite de terça para qiarta-feira, segundo o Ministério do Interior da Croácia.

Um repórter do jornal Blic, enviado à cidade fronteiriça de Presovo, perto da fronteira com a Macedônia, assegurou que os ônibus que até terça-feira enviavam as pessoas ao norte da Sérvia, perto da fronteira húngara, oferecem agora viagens para Sid, uma cidade sérvia próxima à Croácia.

O primeiro ônibus de imigrantes chegou nesta quarta-feira, 16, à Sid com um grupo de 30 a 40 pessoas, depois de viajar a noite toda, vindo da cidade de Preservo. A maioria dos passageiros era de origem síria ou afegã.

Um deles, Amadou, 35 anos, contou que vinha da Mauritânia. “Ouvimos que a Hungria estava fechada, então a polícia disse que deveríamos vir por aqui.” O refugiado ainda declarou: “Queremos ir para qualquer lugar que tenha paz”.

Após o desembarque, dezenas de imigrantes caminhavam por plantações em direção à fronteira da Sérvia com a Croácia.

Na terça-feira, cerca de 20 ônibus estavam prontos na estação de Presovo para viajar em direção à Croácia.

Contenção. A Hungria tem tomado medidas cada vez mais difíceis para os imigrantes. Na terça-feira, o país fechou o restante da cerca na fronteira com a Sérvia e impôs novas leis mais duras, inclusive tornando a travessia da fronteira ilegalmente um crime punível com até três anos de prisão.

Nesta quarta-feira, autoridades húngaras disseram que prenderam 367 imigrantes que tentavam atravessar ilegalmente a fronteira. A polícia estava usando gás lacimogêneo e canhões de água para deter as pessoas. Um recorde de 9.380 imigrantes entraram na Hungria na segunda-feira, antes que o país fechasse a sua fronteira e estipulasse a nova lei. /AFP, EFE e REUTERS

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