Hasan Jamali/AP
Hasan Jamali/AP

Após reprimir protesto, Bahrein prende 7 opositores

Dissidentes xiitas exigem saída de militares sauditas do sultanato; analistas descartam possibilidade de guerra regional

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2011 | 00h00

Um dia depois de forças de segurança terem aberto fogo contra manifestantes em Manama, capital do Bahrein, o governo do sultanato prendeu sete líderes da oposição ao monarca Hamad bin Isa al-Khalifa. Ontem, a Sociedade Nacional Islâmica Al-Wefaq, principal grupo dissidente xiita, exigiu a retirada das tropas estrangeiras que ajudam o sultão a tentar anular os protestos em seu país.

"Os militares da Arábia Saudita deveriam retirar-se do Bahrein. Isso é um chamado ao rei saudita (Abdullah)", disse à Al-Jazira o xeque Ali Salman, líder do Al-Wefaq. "Pedimos uma investigação das Nações Unidas sobre o que vem ocorrendo (no Bahrein) de 14 de fevereiro até agora. Se os manifestantes agiram errado, devem ser responsabilizados."

Esta semana pelo menos três manifestantes morreram. Três policiais também foram assassinados ao serem atropelados por opositores. Segundo a TV estatal bareinita, os presos de ontem estariam em contato com governos estrangeiros e incitariam homicídio e destruição.

Conflito. Apesar de analistas descartarem a possibilidade de uma guerra regional nesse momento, a intervenção saudita no Bahrein esquentou a disputa geopolítica entre a monarquia dos Saud e o regime do Irã. Há anos, os dois países estão em lados opostos no Líbano, Iraque e territórios palestinos, sem falar no apoio de Teerã ao levante dos rebeldes houthis no norte do Iêmen no ano passado.

Em todos esses casos, Riad e os iranianos atuaram apenas com suporte a seus aliados. Em Beirute, a Arábia Saudita defendeu o interesse sunita e serve de protetor do ex-premiê Saad Hariri. O Irã inspira e arma o Hezbollah, que integra a coalizão atualmente no poder. Uma situação similar ocorre entre os palestinos, com Teerã se aliando ao Hamas e Riad dando amparo ao Fatah. No Iraque, o Irã aos poucos transforma o premiê Nuri al-Maliki em seu principal aliado na região - ironicamente, ele também é próximo dos EUA. Os sauditas preferiam Ayad Allawi que, apesar de xiita, liderava uma coalizão apoiada pelos sunitas.

Agora, é a vez do Bahrein. A Arábia Saudita apoia monarquia sunita, temendo que os levantes sirvam de exemplo para os xiitas em seu território. O Irã, que no passado já reivindicou o Estado árabe, está ao lado da maioria xiita, que representa cerca de 70% da população. O movimento saudita em Bahrein, segundo especialistas, coloca o Irã em uma posição difícil. O cenário mais provável no momento é de um impasse prolongado.

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