Fernanda Simas / Estadão
Fernanda Simas / Estadão

Após resultado de plebiscito, colombianos continuam acreditando na paz

A favor ou contra o acordo feito entre as Farc e o governo de Santos, pessoas pedem que negociações continuem

Fernanda Simas, enviada especial / Bogotá, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2016 | 08h45

BOGOTÁ - Após a surpresa com o resultado do plebiscito sobre o acordo de paz do governo de Juan Manuel Santos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), os colombianos, a favor ou contra o pacto, dizem ter esperança de que a paz será alcançada. “Ontem (domingo) isso aqui estava uma tristeza, eu não entendia, acho que faltou pedagogia e escutar os outros, saber o que as pessoas que estavam do lado do 'não' queriam”, afirmou o estudante de antropologia Julián Castillo na Praça Bolívar, onde dezenas de colombianos se reuniram no dia da votação esperando o resultado.

O estudante diz não concordar com as posições políticas de Santos, mas elogiou a maneira como ele negociou com a guerrilha o acordo de paz e o discurso após o anúncio da vitória do "não". “A reação de ontem (domingo) foi maravilhosa, é isso que o país precisa. Entendo que a sociedade civil queira ver os líderes das Farc na prisão, mas isso é uma negociação e teremos que abrir mão de algumas coisas”, completou.

Os vendedores de sorvete na praça Bernardo e Aurora Dias, de 55 e 56 anos respectivamente, ficaram aliviados com a vitória do "não" e pedem que o governo se esforce para ouvir todos os afetados pelo conflito de 52 anos no país. “Somos deslocados, somos do Valle del Cauca e viemos para cá para tentar fugir da guerra, mas aqui continuamos sofrendo”, afirma Aurora.

“O povo quer a paz, o que o povo não quis foram esses acordos. É preciso haver mais consideração com as vítimas do campo”, explica Bernardo, acrescentando não concordar que haja “muito espaço para eles (Farc) no Congresso”.

Para Aurora era preciso haver consultas ao povo antes de se fechar os acordos e realizar toda a cerimônia da assinatura do acordo de paz em Cartagena de Índias – ocorrida no dia 26 de setembro. “Na segunda-feira passada, Timochenko estava lá vestido de branco no palco. E as vítimas onde estavam? Aqui, trabalhando, eu também sou vítima.”

A missionária Rosaura, de 66 anos, segura um cartaz em frente ao Congresso com diversas frases pedindo tolerância e o fim da guerra. “É preciso escutar os outros, conversar. Ainda vai chegar o grande dia da paz aqui”, diz ela em tom esperançoso e com um sorriso. 

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