EFE/Nathalie Sayago
EFE/Nathalie Sayago

Após votação, Maduro alerta para medidas contra Parlamento, Promotoria e opositores

Presidente chavista disse que a Assembleia tomará o poder na Venezuela em breve e ‘retirará a imunidade parlamentar a quem tiver de retirar’; líder também desafiou os membros da coalizão opositora a concorrerem nas eleições regionais do fim do ano ‘para ver quem pode mais’

O Estado de S.Paulo

31 Julho 2017 | 03h21
Atualizado 31 Julho 2017 | 08h32

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, advertiu nesta segunda-feira, 31, para medidas contra o Parlamento, a Promotoria, os líderes da oposição e os meios privados em seu primeiro discurso após a eleição da Assembleia Constituinte convocada por ele na véspera

O líder chavista, em um ato televisionado com simpatizantes do governo, assegurou que a Assembleia - que, segundo ele, tomará o poder na Venezuela nas próximas horas e "retirará a imunidade parlamentar de quem tiver de retirar" - agirá contra a "burguesia parasitária" para solucionar a crise econômica e assumirá o comando da Promotoria "para que haja justiça".

Maduro criticou também a cobertura dada à votação pelos canais de televisão privados venezuelanos, aos quais acusou de "censurar as eleições" e pediu uma investigação ao canal Televen por fazer "apologia do delito". "Estamos em combate comunicacional outra vez contra as mentiras das televisões", acrescentou.

O presidente ainda desafiou os opositores da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) a concorrerem nas eleições regionais previstas para o fim do ano, e condicionou a oferta a um novo processo de diálogo político.

"Faço um desafio à MUD: abandonem o caminho da violência, voltem à política, aceitem o desafio e vamos concorrer aos governos para ver quem pode mais", disse Maduro. "Se não se sentarem à mesa da Comissão da Verdade e da Justiça, outro galo cantará."

A Comissão da Verdade e da Justiça será instalada depois de iniciada a Assembleia Nacional Constituinte. O presidente propôs como "chefe" da entidade a ex-chanceler Delcy Rodríguez, que ganhou uma cadeira nas eleições de domingo.

Mais de oito milhões de venezuelanos votaram na eleição para definir os integrantes da Assembleia Constituinte, rejeitada pela oposição e vários governos, durante um dia violento que terminou com 10 mortos.

"É a maior votação que a Revolução Bolivariana conseguiu em toda a história eleitoral em 18 anos", disse Maduro diante de centenas de seguidores que celebravam na praça Bolívar, centro de Caracas. "Chegou o momento de uma nova história", completou Maduro.

Reação

Em um comunicado divulgado pelo Departamento de Estado, Washington "condenou" a eleição "viciada" e anunciou que continuará "adotando medidas enérgicas e expeditivas contra os artífices do autoritarismo na Venezuela". Maduro reagiu à declaração: "Que c****** nos importa o que diga Trump".

O líder chavista e sua Constituinte contam com apoio dos poderes Judiciário, Eleitoral e Militar. Mas 80% dos venezuelanos rejeitam sua gestão e 72%, o seu projeto, segundo o Instituto Datanálisis.

"Maduro está muito enfraquecido e sendo pressionado. Se respeitar a Constituição e convocar eleições, o chavismo seria perdedor. Com essa aposta, rejeitada em massa no país e no exterior, tenta ganhar tempo e se perpetuar no poder", disse o presidente do Diálogo Interamericano, Michael Shifter.

Para muitos, isso pode acelerar o fim do chavismo. "A cada segundo, o que o governo faz é cavar seu próprio túmulo", ressaltou o presidente do Parlamento, Julio Borges. / EFE e AFP

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