Jonathan Ernst/Reuters
Jonathan Ernst/Reuters

Após retirar militares da Síria, Trump anuncia sanções contra a Turquia

Além das penalidades, presidente americano diz que interromperá negociações comerciais com Ancara e aumentará as tarifas de aço ao país em um esforço para cessar ataques a curdos em território sírio

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2019 | 18h13
Atualizado 15 de outubro de 2019 | 11h37

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira, 14, que vai impor sanções contra a Turquia, interromper as negociações comerciais e aumentar as tarifas de aço ao país. A ação, segundo ele, representa um esforço para pressionar Ancara a cessar os ataques aos curdos na Síria - o que só foi possível depois que o presidente americano retirou as tropas americanas que trabalhavam em conjunto com os curdos no nordeste sírio. 

Em um decreto, o republicano anunciou que tarifas sobre o aço turco serão elevadas para 50%, retomando os níveis anteriores à redução da alíquota, medida tomada em maio. Além disso, o Departamento de Comércio americano interromperá, imediatamente, as negociações de um acordo comercial da ordem de US$ 100 bilhões com a Turquia.

De acordo com o documento divulgado pelo presidente americano, as forças militares turcas estão ameaçando civis, a paz, a segurança e a estabilidade da região da Síria. “Eu fui perfeitamente claro com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan: a ação da Turquia está precipitando uma crise humana e criando condições para a possibilidade de crimes de guerra”, afirmou Trump.

“Infelizmente, a Turquia não aparenta estar mitigando os efeitos humanitários de sua invasão”, completou. Trump foi além e disse que está “totalmente preparado” para destruir a economia da Turquia se os líderes turcos se mantiverem no que qualificou de “caminho destrutivo”. O comunicado ainda indica que os EUA podem ampliar a sanções para outros países que vierem a se envolver no conflito.

Trump disse ainda que os cerca de mil soldados dos EUA que ele ordenou deixar a Síria permanecerão no Oriente Médio para impedir o ressurgimento da ameaça do Estado Islâmico (EI). O presidente declarou que a missão deles seria “monitorar a situação” e evitar a “repetição de 2014”, quando combatentes do EI se organizaram na Síria e invadiram o Iraque.

No domingo, o Observatório Sírio para os Direitos Humanos afirmou que ao menos nove pessoas, entre elas cinco civis, teriam morrido em um bombardeio aéreo da Turquia contra um comboio. O grupo era composto por opositores da ofensiva turca no norte da Síria e era acompanhado por jornalistas. / AP e AFP 

 

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