Scott Olson/Getty Images North America/AFP
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Após retomada das execuções federais, 3º homem é morto pelo governo dos EUA esta semana

Esforços do governo Trump para retomar as execuções estavam em andamento desde a posse do republicano; em poucos dias, ele concluiu o mesmo número de execuções dos 57 anos anteriores

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2020 | 21h11

WASHINGTON - Uma semana que marcou o retorno da pena de morte pelo governo dos Estados Unidos depois de um intervalo de 17 anos terminou na sexta-feira, 17, com a terceira execução de um prisioneiro federal.

Dustin Lee Honken, condenado por assassinato, foi declarado morto às 16h36 (17h36 no horário de Brasília), após receber uma injeção com um poderoso barbitúrico na prisão federal de Terre Haute, Indiana, de acordo com um repórter que serviu de testemunha da mídia e cujo relato foi divulgado nos meios de comunicação.

Esforços do governo do presidente Donald Trump para retomar as execuções estavam em andamento desde a posse do republicano. Em poucos dias, ele concluiu o mesmo número de execuções dos 57 anos anteriores.

Os advogados dos condenados acumularam contestações legais, que incluíram argumentos de que o novo protocolo de injeção letal do Departamento de Justiça dos EUA viola uma proibição constitucional de punições cruéis e incomuns.

Esses argumentos foram rejeitados duas vezes nesta semana por 5 a 4 na Suprema Corte.

Honken, de 52 anos, era traficante de metanfetamina ilegal quando ele e sua namorada assassinaram cinco pessoas em Iowa em 1993, incluindo um informante do governo e duas meninas de 10 e 6 anos. Ele foi condenado em 2004.

Ele era um dos vários presos no corredor da morte federal em Terre Haute cuja defesa argumentava que o novo protocolo com uma substância, que substitui o protocolo com três substâncias usado pela última vez em 2003, causaria uma morte desnecessariamente dolorosa na qual os pulmões se afogariam em um fluido sangrento antes da perda de consciência.

Dois outros homens condenados por assassinato de crianças foram executados em Terre Haute nesta semana: Daniel Lewis Lee, de 47 anos, na terça-feira, e Wesley Ira Purkey, de 68, na quinta-feira.

"Não havia motivo para o governo matá-lo, às pressas e por tudo", declarou Shawn Nolan, advogado de Honken, em comunicado. 

"O homem que eles mataram hoje era um ser humano, que poderia ter passado o resto de seus dias ajudando os outros e se redimindo ainda mais", acrescentou. 

Como suas palavras finais, Honken recitou um poema do poeta inglês Gerard Manley Hopkins chamado Heaven-Haven

Uma quarta execução federal está marcada para 28 de agosto. Nela, Keith Dwayne Nelson será morto por estupro e assassinato de uma menina de 10 anos. 

Todos os três homens apresentaram recursos de última hora, em uma tentativa de impedir suas execuções, mas foram rejeitados pelos tribunais inferiores ou pela Suprema Corte. 

Em 1988, a pena de morte foi retomada no nível federal, mas havia sido usada apenas três vezes antes das execuções desta semana, e a última vez havia sido em 2003. 

O presidente Trump, que enfrenta uma dura batalha para ser reeleito em novembro, tem defendido o uso da pena de morte, especialmente para traficantes de drogas e assassinos de policiais. 

No nível estadual, apenas alguns Estados americanos ainda realizam execuções de forma ativa, principalmente no Sul conservador. Em 2019, 22 pessoas foram executadas. 

Em sua maioria, os crimes são julgados sob âmbito estadual, mas os tribunais federais lidam com alguns dos crimes mais graves, incluindo ataques terroristas, crimes de ódio e casos de extorsão. 

Uma das execuções federais com maior repercussão foi a de Timothy McVeigh, morto por injeção letal em 2001, condenado pelo atentado a bomba em um prédio federal em Oklahoma - que matou 168 pessoas - em 1995./Reuters e AFP

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