Phil Noble / Reuters
Phil Noble / Reuters

Após revés em tribunal, Johnson sugere novas eleições no Reino Unido

Em nova York, premiê britânico afirmou que convocar uma nova votação geral seria o óbvio; líderes opositores pedem renúncia do conservador

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2019 | 12h09
Atualizado 24 de setembro de 2019 | 13h17

NOVA YORK, EUA - O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou nesta terça-feira, 24, em Nova York - onde participa da Assembleia-Geral das Nações Unidas - que o Reino Unido deveria realizar novas eleições gerais depois de a Corte Suprema do Reino Unido considerar ilegal sua decisão de suspender o Parlamento antes do Brexit.

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"Deveríamos ter uma eleição (geral). O óbvio é convocar eleições. Jeremy Corbyn está dizendo coisas ilógicas", disse Johnson em referência ao líder da oposição trabalhista, antes de entrar em seu carro depois de participar de uma reunião com empresários durante sua estadia em Nova York.

Johnson, que se mostrou "em profundo desacordo" com o histórico veredicto da máxima instância judicial do país, disse que seu governo respeitará a decisão.

"Obviamente, é um veredicto que respeitaremos. Respeitaremos o processo judicial. O Parlamento voltará e vamos respeitar isso", garantiu o líder conservador ao ser perguntado sobre a sentença.

Ao opinar que não considera "correta" a decisão da Suprema Corte, Johnson afirmou que "o importante é continuar e executar o Brexit em 31 de outubro".

"Há muitas pessoas que querem evitar que este país saia da União Europeia (UE). O Reino Unido deixará a UE em 31 de outubro, aconteça o que acontecer", insistiu Johnson, ao ressaltar que o importante é obter um bom acordo de saída com o bloco. Segundo o líder conservador, a sentença da Suprema Corte "não facilita" a obtenção de um pacto.

"Conforme a lei, saímos em 31 de outubro, e eu estou muito esperançoso que consigamos um acordo e acredito que o que o povo do nosso país deseja é encerrar esse assunto e é isso que vamos fazer."

Decisão Histórica

Após três dias de audiências e quatro dias de deliberação, os 11 juízes da Suprema Corte de Londres decidiram por unanimidade que a suspensão parlamentar é "nula e sem efeito".

A decisão de "suspender o parlamento foi ilegal porque teve o efeito de frustrar ou impedir a capacidade do Parlamento de desempenhar suas funções constitucionais sem justificativa razoável", disse a presidente da corte, Brenda Hale.

Alguns parlamentares, incluindo aqueles que foram expulsos do Partido Conservador, de Johnson, por se rebelarem contra seus planos para o Brexit, disseram que o premiê deveria renunciar se fosse descoberto que ele enganou a rainha.

Após a divulgação da decisão da corte, Corbyn pediu a Johnson que reconsidere sua posição e convoque uma nova eleição. "Convido Boris Johnson, nas palavras históricas, a 'considerar sua posição'", disse a delegados na conferência anual dos trabalhistas em Brighton.

Pelo tom da decisão e sua aprovação unânime, muitos opinam que Johnson não pode mais continuar no cargo. "Sua posição é insustentável e deve ter a coragem de fazer a coisa certa e renunciar", disse a parlamentar Joanna Cherry, do Partido Nacional Escocês (NSP, em inglês).

A dirigente dos Democratas Liberais, Jo Swinson, afirmou que a decisão deixou claro que Johnson "não é apto para ser primeiro-ministro". "(Ele) atuou de maneira ilegal, tentou calar as vozes do povo porque não quer ser responsabilizado por sua política desastrosa sobre o Brexit", afirmou. / AFP, EFE e AP

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