Após revés nas urnas, Cristina reforma gabinete

Presidente substitui ministro da Economia e chefe de Gabinete, mas oposição diz que mudança é ?cosmética?

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

08 de julho de 2009 | 00h00

Em meio a uma crescente perda de poder, após a derrota nas eleições parlamentares do dia 28, a presidente argentina, Cristina Kirchner, renovou parcialmente seu gabinete ontem à noite com o objetivo de recuperar protagonismo político. Cristina removeu o ministro da Economia, Carlos Fernández, e o substituiu por Amado Boudou, que comandava a poderosa Anses, o sistema previdenciário argentino. O ministro da Justiça, Aníbal Fernández, assumirá o estratégico posto de chefe de Gabinete de ministros no lugar de Sergio Massa, que retomará a prefeitura da cidade de Tigre. Julio Alak, gerente da estatizada Aerolíneas Argentinas, assume a pasta da Justiça.A mudança, no entanto, foi considerada "puramente cosmética" pelos partidos da oposição e analistas políticos. Os homens mais controvertidos do governo não foram afetados pela mudança ministerial. Eles são o ministro do Planejamento Federal e Obras Públicas, Julio De Vido (envolvido em vários casos de corrupção e responsável por polêmicos negócios comerciais com a Venezuela do presidente Hugo Chávez), e o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno (responsável pela manipulação das estatísticas de inflação, pobreza e PIB e defensor do congelamento de preços). Os analistas indicam que a presidente Cristina e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner "não ouviram o recado das urnas". Nas recentes eleições parlamentares, 70% dos argentinos votaram na oposição. O governo perdeu a maioria que possuía na Câmara de Deputados e no Senado. Nos últimos dias o governo começou a sofrer uma fuga de aliados. Nesse contexto, a expectativa era que mudaria o gabinete para tentar estabelecer um diálogo com a oposição. No entanto, a mudança ministerial de ontem à noite mostra que a presidente não tomará esse caminho.Líderes da oposição também consideraram que a troca de ministros foi insatisfatória. O senador Gerardo Morales, um dos líderes do Acordo Cívico e Social, a principal coalizão da oposição, criticou a designação de Boudou: "Ele precisa prestar contas dos obscuros usos dos fundos do sistema previdenciário" durante a campanha eleitoral. "Os Kirchners, com esta troca de ministros, mostram que não estão dispostos a ceder poder. Isso levará, inevitavelmente, a uma reforma ministerial em breve. O governo precisa de ar fresco. Mas não é com esta troca de ministros que a presidente conseguirá uma ?oxigenação? no governo", disse ao Estado o economista e ex-secretário de Comércio Raúl Ochoa.No comando da Anses Boudou chefiou no ano passado a polêmica estatização das aposentadorias privadas, medida que, segundo a oposição, aumentou de forma significativa os fundos do governo para suas políticas clientelistas.

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