Após revés, País muda voto sobre Coreia

Após revés, País muda voto sobre Coreia

O Brasil cede aos fatos e muda seu voto na ONU em relação à Coreia do Norte depois do vexame sofrido pela posição do Itamaraty. Ontem, o governo brasileiro votou ao lado dos países europeus e dos EUA, atacando a situação dos direitos humanos no país asiático e renovando o mandato da ONU para investigar a Coreia do Norte. A medida foi comemorada por ativistas.

GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2010 | 00h00

Em sua justificativa de voto, a representante brasileira, Maria Luiza Escorel, deixou claro que o Itamaraty decidiu rever sua posição diante do comportamento norte-coreano. "Continuamos convencidos de que o diálogo e a cooperação são as formas mais eficientes para melhorar a situação dos direitos humanos. Mas lamentamos que essa oportunidade não tenha sido usada pelo governo da Coreia do Norte", afirmou.

O Brasil pediu que a Coreia do Norte reavalie sua posição e se comprometa a implementar as recomendações da ONU para lidar com abusos de direitos humanos. O Itamaraty ainda pediu que Pyongyang aceite cooperar com o relator da ONU para o país.

Há uma semana, a Coreia do Norte mostrou os limites da estratégia do Brasil de criar condições de diálogo com países onde ocorrem graves violações de direitos humanos. Em Genebra, a Coreia do Norte rejeitou todas as sugestões do Brasil e outros governos para promover a melhora da situação dos direitos humanos no país.

O Itamaraty, em 2009, absteve-se numa resolução apresentada na ONU que condenava as violações aos direitos humanos pelo regime da Coreia do Norte e estabelecia um relator especial para o país. Na época, a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, poupou Pyongyang justificando que o Itamaraty se absteria da resolução de condenação para dar "uma chance" ao governo norte-coreano.

O argumento do Brasil era o de que o debate sobre direitos humanos em um país deveria ocorrer durante o Exame Periódico Universal da ONU, uma espécie de sabatina a que todos os governos devem se submeter. Mas, um ano depois, a Coreia do Norte recusou-se a cooperar e rejeitou acabar com execuções e outros abusos.

Julie Rivero, representante da Human Rights Watch em Genebra, não escondia o alívio com o voto brasileiro. "Essa é a posição que esperamos do Brasil. Que sirva de exemplo para o futuro", disse. "Esse era um voto que muito nos preocupava, já que na Coreia do Norte persistem graves violações aos direitos humanos e o Brasil vinha adotando na ONU uma posição de abstenção", disse Camila Asano, da entidade Conectas Direitos Humanos. "Ficamos agora na expectativa para que essa mudança de posição aponte para uma tendência positiva e responsável do Brasil na maneira como nosso país se manifesta sobre violações aos direitos humanos", disse Camila. / J.C.

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