STR/KCNA VIA KNS/AFP
STR/KCNA VIA KNS/AFP

Após rumores, China envia equipe para verificar saúde de líder norte-coreano, diz agência

Viagem de médicos e autoridades chinesas ocorre em meio a relatórios conflitantes sobre a saúde do líder Kim Jong-un

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2020 | 21h22

PEQUIM/SEUL - A China enviou uma equipe para a Coreia do Norte, incluindo médicos especialistas, para verificar a situação do líder norte-coreano, Kim Jong-un, segundo três pessoas familiarizadas com a situação.

A viagem dos médicos e autoridades chinesas ocorre em meio a relatórios conflitantes sobre a saúde do líder norte-coreano. A agência Reuters informou que não foi possível determinar imediatamente o que a viagem da equipe chinesa sinaliza sobre a saúde de Kim.

Uma delegação liderada por um membro sênior do Departamento Internacional do Partido Comunista Chinês partiu de Pequim para a Coreia do Norte na quinta-feira (hora local), segundo as fontes. O departamento é o principal organismo chinês que lida com a vizinha Coreia do Norte. As fontes não quiseram ser identificadas.

O departamento não pode ser contatado pela Reuters para comentar. O Ministério das Relações Exteriores da China não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O site Daily NK, cuja sede fica em Seul, divulgou no início desta semana que Kim estava se recuperando depois de passar por um procedimento cardiovascular em 12 de abril. Ele citou uma fonte não identificada na Coreia do Norte.

Funcionários do governo sul-coreano e um funcionário chinês do departamento contestaram relatórios subsequentes sugerindo que Kim estava em grave perigo após a cirurgia. 

As autoridades sul-coreanas disseram não ter detectado sinais de atividade incomum no Norte.

Na quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, também subestimou relatórios anteriores de que Kim estava gravemente doente. "Eu acho que o relatório estava incorreto ", disse Trump a repórteres, mas se recusou a dizer se ele estivera em contato com autoridades norte-coreanas.

Na sexta-feira, uma fonte de inteligência sul-coreana disse à agência Reuters que Kim estava vivo e provavelmente faria uma aparição em breve. A fonte não quis comentar sobre a condição atual de Kim ou qualquer envolvimento chinês.

Um funcionário familiarizado com a inteligência dos EUA disse que Kim era conhecido por ter problemas de saúde, mas eles não tinham motivos para concluir que ele estava gravemente doente ou incapaz de reaparecer em público.

O Secretário de Estado americano, Mike Pompeo, quando questionado sobre a saúde de Kim na Fox News, disse: "Eu não tenho nada que eu possa compartilhar com você hoje à noite, mas o povo americano deve saber que estamos acompanhando a situação com muita atenção".

A Coreia do Norte é um dos países mais isolados e secretos do mundo, e a saúde de seus líderes é tratada como uma questão de segurança de estado. A Reuters não conseguiu confirmar de maneira independente quaisquer detalhes sobre o paradeiro de Kim ou a condição de sua saúde. 

A mídia estatal da Coreia do Norte noticiou pela última vez o paradeiro de Kim quando ele presidiu uma reunião em 11 de abril. Chamou a atenção das autoridades estrangeiras o fato de ele não ter participado de um evento para marcar o aniversário de seu avô, Kim Il-sung, em 15 de abril, uma data importante na Coreia do Norte.

Kim, que acredita-se ter 36 anos, desapareceu da cobertura da mídia estatal norte-coreana antes. Em 2014, não houve notícia dele por mais de um mês e a TV estatal norte-coreana, mais tarde, exibiu imagens do líder caminhando e mancando. 

Especulações sobre sua saúde têm sido alimentadas pelo fato de ele ser fumante, aparentemente ter ganhado peso e ter um histórico familiar de problemas cardiovasculares.

Quando o pai de Kim Jong-un, Kim Jong-il, sofreu um derrame em 2008, a mídia sul-coreana informou na época que médicos chineses e franceses participaram de seu tratamento. 

No ano passado, o presidente chinês, Xi Jinping, fez a primeira visita de estado em 14 anos por um líder chinês à Coreia do Norte, um estado empobrecido que depende de Pequim para fins econômicos e apoio diplomático.

A China é o principal aliado da Coreia do Norte e a salvação econômica para esse país atingido duramente pelas sanções da ONU, além de manter um forte interesse na estabilidade do país com o qual compartilha uma longa e porosa fronteira.

Kim é o líder hereditário de terceira geração que chegou ao poder depois que seu pai morreu em 2011 de ataque do coração. Ele visitou a China quatro vezes desde 2018.

Trump realizou cúpulas sem precedentes com Kim em 2018 e 2019 como parte de uma tentativa de convencê-lo a desistir de seu arsenal nuclear. /REUTERS 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.