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REUTERS|Mike Segar
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Após se aproximar de Londres, Macri refaz apelo por Malvinas

Parlamento argentino pressiona líder a explicar tática de desvincular luta por soberania e parceria comercial com britânicos

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2016 | 20h01

A tradicional defesa que o presidente argentino faz na ONU da soberania sobre as Ilhas Malvinas (Falklands, para os britânicos) teve nesta terça-feira especial significado, em razão da aproximação que Mauricio Macri decidiu iniciar com Londres.

“Reitero nosso chamado ao diálogo com o Reino Unido, como mandam tantas resoluções dessa organização para solucionar amigavelmente a disputa de soberania que temos há quase dois séculos”, afirmou. Desde sua posse, há nove meses, ele adotou a tática de isolar a reivindicação sobre o arquipélago, para impedir que atrapalhe possíveis acordos comerciais.

Essa estratégia foi em geral bem recebida pelo mercado e por diplomatas, mas colocou Macri sob fogo amigo. Integrantes importantes da coalizão Cambiemos, que o levou ao poder há nove meses, se uniram à oposição para criticar um acordo fechado há uma semana.

O pacto prevê um voo a mais ligando a Argentina e as ilhas – hoje, há somente um por mês. A parte mais contestada anuncia a cooperação para exploração de áreas de pesca, petróleo e navegação. A chanceler Susana Malcorra foi chamada a dar explicações no Congresso.

“Obviamente, era necessário relançar as relações após 10 anos de desgaste com o kirchnerismo. Mas houve concessões amplas para melhorar a vida dos moradores das Malvinas, sem uma contrapartida equivalente”, avalia o diplomata Vicente Berasategui, que começou a participar de negociações sobre o tema em 1966 e foi embaixador em Londres.

Antes da guerra de 1982, o Reino Unido admitia algum tipo de acordo sobre as ilhas. Ao encontrar Macri em janeiro, o então premiê David Cameron disse que soberania não se discutia.

O veterano de guerra Gustavo Nápoli, de 53 anos, diz entender que negócios com britânicos possam amenizar a crise econômica, mas é contra misturar os temas. “Aquilo pelo que lutamos é inegociável”, diz o ex-combatente.

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