Johan Ordonez / AFP
Johan Ordonez / AFP

Após segunda morte, EUA farão exames médicos em todas as crianças imigrantes sob sua custódia

Na terça-feira, um menino de oito anos da Guatemala morreu em circunstâncias semelhantes às de Jakelin Caal, morta no começo do mês

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2018 | 10h16

WASHINGTON - O Departamento de Alfândega e Proteção a Fronteiras dos Estados Unidos (CBP, na sigla em inglês) anunciou que realizará exames médicos em todas as crianças que estão sob sua custódia. A decisão foi tomada após a morte de um imigrante da Guatemala de oito anos nesta terça-feira, 25, a segunda de um menor de idade em circunstâncias semelhantes.

A criança, identificada pelo deputado americano Joaquin Castro como Felipe Alonzo Gomez, havia sido enviado a um centro médico do Novo México na segunda-feira, depois de apresentar sinais de que estaria doente, disse o CBP em um comunicado.

Os funcionários do hospital diagnosticaram o menino com um resfriado comum. Recebeu alta à tarde, após os médicos receitarem ibuprofeno e amoxicilina. Mais tarde, o quadro se agravou e Felipe, que estava detido junto a seu pai, começou a apresentar náuseas e vômitos e foi novamente encaminhado ao hospital, onde acabou morrendo na terça pouco depois da meia-noite

O CBP informou que ainda não havia sido estabelecida a causa da morte, mas garantiu que faria “uma revisão independente e completa das circunstâncias”.

Mais tarde, o comissário Kevin K. McAleenan anunciou que a agência estava “realizando exames médicos secundários a todas as crianças sob o cuidado e custódia do CBP” e “revisando suas políticas com atenção especial ao cuidado e custódia de crianças menores de 10 anos”.

Ele afirmou ainda que o Departamento está considerando buscar apoio médico de outras agências, entre elas a Guarda Costeira e o Departamento de Defesa dos EUA. “O CBP também está coordenando com o Centro para o Controle de Doenças o número de crianças sob custódia”, destacou.

Investigação

Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores da Guatemala, o menino e seu pai foram detidos no dia 18 de dezembro após terem cruzado a fronteira do México com os EUA pela cidade de El Paso, no Estado do Texas. Cinco dias depois, foram trasladados à estação de Alamogordo, no Estado vizinho. O governo guatemalteco pediu uma investigação "clara e resguardando o devido processo".

No dia 8 de dezembro, a guatemalteca Jakelin Caal morreu no hospital de El Paso de causas ainda não reveladas depois de ter sido detida com o pai, após os dois cruzarem a fronteira americana com o México na noite de 6 de dezembro. Segundo o jornal The Washington Post, que citou o CBP, a menina teria morrido por "desidratação e choque".

O caso de Jakelin causou grande indignação nos EUA e uma delegação de congressistas que visitou as instalações onde ela esteve detida denunciaram "falhas sistêmicas" no processo e condições de higiene deploráveis. Após a morte da menina, o Departamento de Segurança Nacional (DHS) anunciou uma investigação, cujos resultados serão apresentados ao Congresso e divulgados ao público.

Em busca de respostas

"Estou com o coração partido de saber da morte de uma segunda criança na detenção", escreveu no Twitter a representante de Nova York na Câmara dos Deputados, Nydia Velazquez. "Devemos exigir responsabilidades, encontrar respostas e pôr fim à odiosa e perigosa política contra os migrantes desta administração", acrescentou ela, em alusão às políticas do governo Trump.

A União Americana de Liberdades Civis (ACLU) qualificou os fatos de uma "tragédia assustadora". "O CBP deve prestar contas e parar de deter crianças. O novo Congresso deve ter como uma de suas prioridades realizar uma investigação sobre o Departamento de Segurança Nacional”, disse a ONG.

O presidente Donald Trump impulsiona uma política de tolerância zero contra a imigração, no âmbito da qual 2,3 mil migrantes menores de idade foram separados de seus pais entre 5 de maio e 9 de junho, o que causou indignação no país e no mundo. / AFP

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