Stefani Reynolds/EFE
Stefani Reynolds/EFE

Após segundo ataque a tiros em uma semana, Biden pede maior controle no acesso a armas

Em pronunciamento, presidente americano disse que não é preciso esperar mais informações sobre o atirador para agir e apelou a legisladores que aprovem leis mais restritivas

Beatriz Bulla / Correspondente , O Estado de S.Paulo

23 de março de 2021 | 15h39

WASHINGTON - As bandeiras dos Estados Unidos em prédios oficiais ainda estavam a meio-mastro quando um segundo ataque tiros, em uma só semana, matou dez pessoas em Boulder, Colorado. Em pronunciamento nesta terça-feira, 23, o presidente americano, Joe Biden, disse que não é preciso esperar mais informações sobre o atirador para agir e apelou a legisladores que aprovem leis que permitam maior controle no acesso a armas e restrinjam vendas de fuzis semi-automáticos e cartuchos de alta capacidade.

"Eu não preciso esperar mais um minuto, muito menos mais uma hora para tomar passos de senso comum que salvem vidas no futuro", disse Biden. Na segunda-feira, um homem de 21 anos abriu fogo contra clientes de um mercado, usando um AR-15, e deixou dez mortos.

Entre as vítimas está Eric Talley, de 51 anos, o primeiro policial a chegar ao local. O suspeito foi detido e ainda não há informações sobre a motivação do crime. É o segundo ataque nos EUA em seis dias. No último dia 16, oito pessoas foram mortas a tiros -- incluindo seis mulheres asiáticas -- no Estado da Geórgia.

Nesta terça-feira, Biden defendeu a aprovação de duas leis aprovadas pela Câmara dos Deputados que dificultam o acesso a armas e tentam fechar lacunas no sistema de checagem de antecedentes.

"O Senado dos Estados Unidos, espero que alguns estejam ouvindo, deve aprovar imediatamente os dois projetos de lei aprovados pela Câmara que fecham as lacunas no sistema de verificação de antecedentes. São projetos de lei que receberam votos tanto de republicanos quanto de democratas na Câmara", disse.

Muitos republicanos se opõem ao maior controle do acesso a armas. Como o Senado está atualmente dividido entre 50 democratas e 50 republicanos, o governo Biden deve ter dificuldade em emplacar medidas restritivas que ampliem a checagem de antecedentes.

Um dos pontos que os deputados tentam mudar é a conhecida "brecha de Charleston", em referência à maneira como o responsável por um ataque a tiros dentro de uma igreja em 2015 em Charleston, na Carolina do Sul, conseguiu a arma. Quando o sistema nacional de checagem de background não consegue responder, imediatamente, se um americano está apto a comprar uma arma, o FBI deve investigar a questão. Se a investigação não tem início em três dias, os donos de lojas de armas podem decidir se procedem ou não com a venda, apesar de não haver resposta positiva sobre a permissão de compra.

Pelo projeto aprovado pela Câmara e sob análise no Senado, o prazo de três dias para a resposta da checagem de antecedentes será ampliado para dez dias. A outra lei já aprovada pela Câmara consiste na ampliação das medidas para verificação do antecedente.

"Essa não é uma questão partidária. É uma questão americana. Isso vai salvar vidas. Vidas americanas. Nós temos que agir", disse Biden, ao pedir a ação do Congresso. Ele também defendeu que seja banida a venda de "armas de assalto", que são fuzis semi-automáticos, e de cartuchos de alta capacidade. "Fiz isso como senador, podemos fazer de novo", disse Biden. Em 1994, o Congresso aprovou uma medida federal para banir a venda de armas desse tipo, que expirou em 2004.

A discussão sobre endurecimento de acesso a armas é recorrente após episódios de massacres nos EUA. Desta vez, Biden é pressionado para dar respostas além da retórica política tradicional. Como vice-presidente no governo Obama, ele foi encarregado de negociar com o Congresso um pacote para maior controle no acesso a armas em 2012, após o ataque dentro da escola Sandy Hook, em Connecticut, que matou 28 pessoas - 20 crianças com idades entre 6 e 7 anos.

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