Jekesai Njikizana/AFP
Jekesai Njikizana/AFP

Mulher de ditador do Zimbábue escapa de processo

Primeira-dama, Grace Mugabe, ganha imunidade da África do Sul depois de espancar modelo que estava com seus dois filhos em hotel de Johannesburgo

O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2017 | 08h20
Atualizado 20 Agosto 2017 | 22h12

JOHANNESBURGO - Grace Mugabe, de 52 anos, recebeu no domingo, 20, um afago do governo da África do Sul. A chanceler sul-africana, Maite Nkoana-Mashabane, anunciou que a mulher do ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, tem direito a imunidade diplomática. A decisão livra a primeira-dama de um processo por agressão e evita um constrangimento diplomático entre dois aliados de longa data.

O barraco ocorreu quando Grace flagrou os dois filhos, Robert Mugabe Jr., de 25 anos, e Chatunga Mugabe, de 21, com a modelo Gabriella Engels, de 20 anos, no quarto de um hotel em Sandton, bairro nobre de Johannesburgo. De acordo com Gabriella, a primeira-dama invadiu o quarto na manhã do dia 13. Furiosa, ela espancou a modelo com uma extensão elétrica. Os filhos fugiram, enquanto os guarda-costas do ditador zimbabuano assistiam à cena.

Depoimento. “Estávamos no quarto quando ela apareceu e começou a bater em todo mundo. Não consegui entender o que estava acontecendo. Fiquei surpresa”, disse a modelo. “Havia sangue por todos os lados. Abriu um buraco na minha testa. Eu tive de rastejar para fugir do quarto.”

Na quarta-feira, dois dias depois de Gabriella formalizar uma queixa na polícia, o governo do Zimbábue exigiu que a África do Sul concedesse imunidade diplomática para a primeira-dama. O argumento, segundo os diplomatas de Mugabe, era o de que Grace foi ao país para participar com seu marido de uma reunião de chefes de Estado da Comunidade para o Desenvolvimento da África Meridional (SADC, na sigla em inglês).

A primeira-dama, no entanto, não apareceu ao lado do marido em nenhuma reunião e, segundo a imprensa sul-africana, Grace Mugabe estava na África do Sul para realizar exames médicos em razão de ferimentos sofridos em um acidente de trânsito. Livre das acusações, o casal Mugabe voltou para casa no domingo.

Por alguns instantes, muitos pensaram que o surto de Grace em Johannesburgo poderia desencadear um incidente diplomático entre Zimbábue e África do Sul. Os dois países mantém uma longa aliança. Durante o apartheid, Mugabe deu apoio logístico e político ao Congresso Nacional Africano (CNA), partido de Nelson Mandela e principal movimento negro que lutava contra a segregação racial no país. 

Massacres. Após a democratização da África do Sul, no governo de Mandela e durante os dois mandatos de Thabo Mbeki, o CNA, transformado em partido governista, retribuiu o favor e protegeu o ditador do Zimbábue de sanções internacionais mais severas.

Nos últimos meses, diante da saúde cada vez mais frágil de Mugabe, de 93 anos, aumentaram os rumores de que Grace poderia se tornar sucessora do ditador. Mugabe governa o Zimbábue com mão de ferro desde sua independência, em 1980. Desde então, ele se mantém no poder graças a ações violentas contra dissidentes, como o genocídio de 30 mil pessoas da etnia ndebele, em Matabeleland, no sul do país, em 1987. / EFE e REUTERS

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