Jonathan Ernst/Reuters
Jonathan Ernst/Reuters

Após servir a Bush e Obama, Gates deixa comando da Defesa dos EUA

Secretário se aposentou nesta quinta-feira; será substituído por Leon Panetta, ex-chefe da CIA

Alessandra Corrêa, BBC

30 de junho de 2011 | 17h24

WASHINGTON - Último remanescente de primeiro escalão do presidente George W. Bush ainda no governo americano, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, deixou o cargo nesta quinta-feira, 30.

 

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Em uma cerimônia no Pentágono para marcar sua despedida, o presidente Barack Obama concedeu ao secretário a Medalha Presidencial da Liberdade, maior condecoração civil do país. "Bob, hoje você é não apenas um dos secretários de Defesa a servir por mais tempo na história americana, mas também está claro que você foi um dos melhores", disse o presidente.

Durante os quatro anos e meio em que esteve à frente do Pentágono, Gates supervisionou a participação americana em duas guerras - no Iraque e no Afeganistão - e conquistou o respeito tanto de democratas quanto de republicanos.

Aos 67 anos, Gates deixa o comando do Pentágono para se aposentar. Será substituído por Leon Panetta, que até então dirigia a CIA (a agência de inteligência americana) e assume o novo posto a partir desta sexta-feira.

Afeganistão

Ao longo de sua carreira, Gates serviu a oito presidentes americanos em diversos cargos e foi o primeiro secretário de Defesa a ocupar o posto durante os governos de dois presidentes dos dois partidos rivais - o republicano Bush, entre 2006 e 2009, e o democrata Obama.

O secretário é reconhecido por seu papel na escalada na Guerra do Iraque e também no envio de tropas extras ao Afeganistão. "Quando o resultado da Guerra no Iraque estava em dúvida, Bob Gates comandou os esforços extraordinários para restaurar a ordem. Nos últimos dois anos e meio, nós retiramos mais de 100 mil soldados do Iraque, encerramos nossa missão de combate e estamos terminando essa guerra de maneira responsável", disse Obama na cerimônia.

"Quando a luta contra a Al-Qaeda e nossos esforços no Afeganistão precisaram de um novo enfoque, Bob Gates nos ajudou a idealizar a estratégia que afinal colocou a Al-Qaeda no caminho da derrota e garante que o Afeganistão nunca mais se torne fonte de ataques contra nossa nação", afirmou o presidente.

 

Retirada

Gates deixa o cargo poucos dias após Obama ter anunciado um cronograma para a retirada das tropas americanas no Afeganistão, que começa já no início de julho. A saída do secretário também ocorre em um momento em que cresce a impaciência dos americanos com a guerra no país asiático, que já se estende por quase dez anos e custou pelo menos 3,7 trilhões de dólares aos EUA.

A pressão para a retirada das tropas do Afeganistão aumentou ainda mais após a morte do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, no início de maio, em uma operação de forças especiais americanas no Paquistão. Na semana passada, Obama anunciou que 10 mil soldados americanos deixarão o país até o fim deste ano, e outros 23 mil até setembro de 2012.

Ao substituir Gates no comando do Pentágono, Leon Panetta terá ainda de lidar com a pressão de cortes no orçamento da Defesa, em meio ao deficit recorde enfrentado pelos Estados Unidos e às negociações no Congresso para reduzir gastos.

 

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