Após sete meses de negociações, Iraque fecha acordo para governo de coalizão

País vive impasse político desde eleições em março, em que não houve claro vencedor.

BBC Brasil, BBC

11 de novembro de 2010 | 13h18

Maliki deve manter o cargo de primeiro-ministro do Iraque

Os principais partidos iraquianos concordaram em formar um governo, informou o político que mediou as negociações, o curdo Masoud Barzani.

O acordo põe fim a quase oito meses de impasse desde as eleições de março, quando não houve um claro vencedor.

Barzani disse que o acordo é uma parceria nacional.

Segundo ele, o xiita Nouri Maliki mantém o cargo de primeiro-ministro, enquanto a principal facção sunita, liderada por Iyad Allawi, deve eleger a presidência do parlamento. Allawi terá o posto de chefe do Conselho Nacional para Política Estratégica.

Os curdos, que ao lado dos xiitas e sunitas, constituem as três principais etnias do Iraque, devem reter a presidência do país.

Os parlamentares deverão se reunir nesta quinta-feira para aprovar o acordo eleger o presidente do Parlamento, iniciando um processo que deve levar à formação do novo governo.

Inconstitucional

No final de outubro, a Suprema Corte do Iraque ordenou que os parlamentares do país retomassem os trabalhos, interrompidos desde as eleições no dia 7 de março.

O tribunal decidiu que a ausência dos legisladores era inconstitucional.

O impasse político se criou quando o bloco liderado pelo ex-primeiro-ministro Iyad Allawi venceu o pleito por uma pequena margem.

Em quase oito meses de limbo político, nem Allawi, nem o atual primeiro-ministro, Nouri Maliki, foram capazes de formar uma coalizão, e nesse período, o parlamento se reuniu por apenas 20 minutos.

Nessa única sessão, em junho último, os legisladores decidiram adiar o retorno formal aos trabalhos de forma a permitir que os líderes políticos negociassem suas alianças.

Levou todo esse tempo para que Maliki gradualmente conseguisse apoio para formar uma coalizão.

Segundo o correspondente da BBC em Bagdá, Jim Muir, a maré virou a favor de Maliki em outubro, quando o jovem clérigo xiita Moqtada Sadr anunciou que os assentos controlados por ele no novo parlamento - cerca de 40 - iriam apoiar Maliki.

Uma a uma, facções menores aderiram à coalizão liderada pelo primeiro-ministro xiita.

Sunitas

Os oponentes de Maliki, nesse meio-tempo, denunciavam a pressão exercida pelo Irã nos bastidores.

Restava a questão: como incluir no governo a aliança liderada por Allawi, receptor da grande maioria dos votos da etnia sunita?

Os parlamentares concordavam que o grupo deveria participar do governo, porque a marginalização dos sunitas é vista como uma das grandes causas da insurgência.

O acordo alcançado parece oferecer uma resposta. Embora Maliki retenha o posto de primeiro-ministro, o bloco liderado por Allawi leva não apenas a presidência do parlamento, como também a chefia do Ministério das Relações Exteriores e a presidência do novo Conselho Nacional para Política Estratégica.

Segundo o correspondente da BBC, o conselho foi criado, em teoria, para contrabalançar o poder do primeiro-ministro.

O líder curdo Jalal Talabani mantém o cargo de presidente do Iraque.

Em sessão nesta quinta-feira, os parlamentares devem eleger o presidente do parlamento e seus vices. Depois, a câmara deverá eleger o presidente do Iraque, que, por sua vez, convidará a maior coalizão parlamentar - a de Maliki - a nomear um candidato que tentará formar um governo.

O escolhido terá um mês para formar seu governo.

Entretanto, agora que existe um acordo, o processo deve ser rápido, disse o correspondente da BBC.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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