Said Khatib/AFP
Said Khatib/AFP

Após setor de táxis, Gaza tem primeira mulher trabalhando em posto de combustível

Salma al-Najjar, de 15 anos, tem apoio da família e do chefe

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2020 | 04h00

GAZA - Vestida com seu colete preto e laranja, Salma al-Najjar espera os carros pararem. A adolescente de 15 anos é a primeira funcionária de um posto de gasolina na Faixa de Gaza e deseja mudar a mentalidade desse enclave muito conservador.

A jovem palestina queria conciliar o trabalho com os estudos, não só para ter um salário, mas também para mostrar que as mulheres podem fazer o mesmo que os homens.

“Eu apóio as mulheres palestinas e, apesar de todas as críticas que possam haver, quero mostrar que elas podem fazer o que quiserem”, disse ela à Agência France-Presse.

Governada desde 2007 pelo movimento islâmico Hamas, a Faixa de Gaza tem níveis muito altos de desemprego (50%) e pobreza.

Quando Mohamed Al-Agha, chefe do posto de gasolina, concordou em contratar Salma para abastecer, a adolescente ficou muito feliz e surpresa.

“Afinal, por que não ser a primeira mulher (a ocupar esse cargo) e assim desafiar nossa sociedade conservadora e tradicional?”, diz a jovem sob seu lenço preto. Salma tem o apoio da família e do chefe.

“Sou empresário e apoio todas as meninas ou mulheres que desejam realizar seus sonhos e ambições”, explicou Mohamed Al-Agha.

Uma mudança de mentalidade entre as mulheres, mas também para os jovens: “é verdade que sou jovem, mas não sou uma menina, e quero provar que o importante não é a idade, mas sim as competências que você tem”, diz Salma.

Embora a lei palestina permita trabalhar a partir dos 18 anos, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) observou que, em 2015, 4,5% dos menores palestinos na Cisjordânia ocupada trabalhavam e na Faixa de Gaza, havia um número “preocupante”, segundo o relatório publicado em 2018. /AFP

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