Sainte-Catherine Laboure care home/ David Tavella via AP
Sainte-Catherine Laboure care home/ David Tavella via AP

Após sobreviver à gripe espanhola e a duas guerras, freira francesa derrota covid com quase 117 anos

Irmã André mantém o título de europeia mais idosa viva e a segunda pessoa mais velha do mundo; ela completa 117 anos na quinta-feira

Jaclyn Peiser / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2021 | 17h18

WASHINGTON - Nas semanas que antecederam seu 117º aniversário, a irmã André passou seus dias isolada em seu quarto no lar de idosos Sainte Catherine Labouré, na cidade de Toulon, no sul da França. A freira foi uma das dezenas de residentes da casa que testaram positivo para o novo coronavírus.

Mas na terça-feira, a irmã André foi declarada recuperada do vírus, disse um porta-voz de sua casa de repouso à agência Reuters, o que lhe permitiu manter o título de a europeia mais idosa viva e a segunda pessoa mais velha do mundo, segundo o Ranking Mundial de Supercentenários do Gerontology Research Group. 

“Nós a consideramos curada. Ela está muito calma e espera comemorar seu 117.º aniversário na quinta-feira ”, disse o porta-voz David Tavella à agência Reuters.

Dez outras pessoas na casa de repouso morreram de covid-19, relatou o jornal Le Parisien, depois que 81 dos 88 residentes testaram positivo em janeiro. Houve mais de 3,4 milhões de casos na França e mais de 80 mil mortes, de acordo com o rastreador do Washington Post.

Irmã André, originalmente chamada de Lucile Randon, nasceu em 11 de fevereiro de 1904, em Alès, uma cidade da região Occitane, no sul da França. Ela cresceu em uma família protestante não religiosa e trabalhou desde jovem como governanta em Marselha e como tutora em Paris, de acordo com o Le Parisien.

Ela se converteu ao catolicismo aos 19 anos e, aos 25 anos, começou a trabalhar em um hospital. Por 28 anos ela cuidou de idosos e crianças órfãs. Em 1944, ela se juntou às Filhas da Caridade para se tornar freira aos 40 anos. A religiosa assumiu o nome de Irmã André em homenagem a seu irmão morto e, em 2009, mudou-se para o asilo, relatou Le Parisien.

Quando a irmã André completou 115 anos, o papa Francisco lhe enviou uma carta pessoal e um rosário bento, de acordo com o FAMVIN, um serviço de notícias religiosas.

Após o diagnóstico de coronavírus em meados de janeiro, a irmã André estava assintomática. Cega e em uma cadeira de rodas, a freira aposentada que sobreviveu à pandemia da gripe espanhola e às duas guerras mundiais disse à TV francesa BFM que não ficou com medo quando deu positivo porque disse não ter medo de morrer.

“Estou feliz por estar com você, mas gostaria de estar em outro lugar - me juntar a meu irmão mais velho, meu avô e minha avó”, disse na entrevista à TV.

Tavella afirmou ao jornal Var-Matin que a freira estava mais preocupada com a perturbação em sua rotina do que com sua saúde.

“Ela queria saber, por exemplo, se os horários das refeições e de dormir mudariam”, disse Tavella. “Ela não demonstrou medo da doença. Na verdade, ela estava mais preocupada com os outros residentes.”

Enquanto estava isolada, a irmã André passava a maior parte do tempo orando, como contou a Le Parisien, e ansiando pelos dias em que poderia comer com os amigos e passear no jardim.

Tavella disse ao jornal que a freira é muito sociável e gosta de ouvir música.

Quanto ao seu 117.º aniversário na quinta-feira, Tavella disse à agência Reuters que o encontro será pequeno em razão dos riscos do coronavírus. “Ela teve muita sorte”, disse Tavella.

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