Pedro Portal/Miami Herald via AP
Pedro Portal/Miami Herald via AP

Pressionado por protestos, governador de Porto Rico desiste de tentar reeleição

Ricardo Rosselló tem sido alvo de manifestações desde a divulgação de mensagens trocadas por ele com outros membros do alto escalão do governo nas quais ele insulta jornalistas, mulheres, políticos e artistas

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2019 | 04h25
Atualizado 22 de julho de 2019 | 06h40

SAN JUAN - Pressionado por diversas manifestações que começaram há mais de uma semana, o governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló, anunciou no domingo, 21, que deixará a presidência do Partido Novo Progressista (PNP) e não tentará a reeleição em 2020.

O governador fez os anúncios em um discurso transmitido ao vivo no Facebook. Além de desistir da reeleição, ele também afirmou que aceita o processo de impeachment aberto pela Assembleia Legislativa na semana passada.

Rosselló tem sido alvo de manifestações após 889 páginas de mensagens trocadas por ele com outros integrantes do alto escalão do governo terem sido reveladas pelo Centro de Jornalismo Investigativo. Nos diálogos, eles insultam e zombam de jornalistas, políticos aliados e de oposição, artistas e mulheres. Um dos citados é o cantor porto-riquenho Ricky Martin, alvo de referências vulgares e homofóbicas por parte do governador.

Antes do anúncio, Rosselló se reuniu com vários integrantes do governo de Porto Rico em San Juan. Mais tarde, ele se encontrou com prefeitos do PNP em Guyanabo, onde o governador encontrou um grupo de manifestantes que foram atacados com gás de pimenta pela polícia porto-riquenha após tentarem bloquear a saída dos políticos. 

"Ricky canalha, queremos que vá embora" ou "Ricky ditador" foram algumas das frases que os manifestantes gritaram. Outro protesto se formou nas proximidades de La Fortaleza, sede do governo. Para esta segunda-feira, 22, estão previstas uma greve geral e uma manifestação na capital San Juan, no que seria o 10.º dia de protestos contra o governador. 

Ricky Martin lidera protesto

No domingo, Ricky Martin, uma das vítimas das ofensas proferidas por Rosselló, qualificou Rosselló como "cínico" e "maquiavélico", e anunciou que estará presente na manifestação prevista para pedir a renúncia do governador.

"A única coisa que o senhor faz com essa mensagem que acaba de divulgar é brincar com a saúde mental dos porto-riquenhos (...). Exijo dos presidentes do Poder Legislativo na ilha que, por favor, comecem o processo de 'residenciamiento' (julgamento político). Se não quer sair, essa é a única opção que nós temos", disse o cantor em mensagem publicada nas redes sociais.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

#rickyrenuncia #residenciamientoYA

Uma publicação compartilhada por Ricky (@ricky_martin) em

O cantor também encorajou os cidadãos a participarem da manifestação que será realizada em San Juan. Na quarta-feira, ele e outros artistas porto-riquenhos, entre eles Bad Bunny e Residente, lideraram um enorme protesto realizado contra Rosselló, do qual participaram milhares de cidadãos.

Processo de impeachment contra Rosselló

No discurso feito pelas redes sociais, o governador de Porto Rico afirmou que respeita a ordem constitucional e que, por isso, aceita o processo de impeachment aberto em razão das mensagens vazadas. "Dou boas-vindas ao processo iniciado pela Assembleia Legislativa, o qual enfrentarei com toda a verdade, força e de maneira responsável", disse Rosselló.

O governador também reconheceu que pedir desculpas não é suficiente para reconquistar a confiança dos cidadãos porto-riquenhos. "Um setor significativo da população se manifesta há dias e estou ciente da insatisfação que sentem. O direito de se expressar sempre será protegido pela Constituição", afirmou.

"Porto Rico terá a oportunidade de escolher uma nova liderança. Cabe a mim agora, nos meses que restam, continuar o trabalho que me foi confiado e entregar ao meu sucessor ou sucessora um governo com indicadores econômicos positivos, focado em sair da crise econômica e social que enfrentamos há anos", continuou o governador. / EFE

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