Philippe Desmazes/AFP
Philippe Desmazes/AFP

Após ter pedido de eutanásia negado, francês com doença incurável decide morrer ao vivo

Alain Cocq, paralisado por dores incessantes há 34 anos, quer mostrar 'agonia imposta pela lei'

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2020 | 18h52

PARIS - Um francês de 57 anos, sofrendo de uma doença incurável, decidiu abandonar seus tratamentos e transmitir os últimos momentos de sua vida a partir de meia-noite desta sexta-feira, 4, ao vivo no Facebook.

Alain Cocq sofre de uma doença extremamente rara e sem nome, que faz as paredes de suas artérias se colarem, causando isquemia, ou seja, uma parada, ou insuficiência da circulação sanguínea, em um tecido ou órgão. 

Paralisado por dores incessantes há 34 anos, condenado a permanecer na cama, Cocq gostaria de receber uma sedação profunda, algo que a lei francesa não permite, exceto quando se está a poucas horas da morte certa. 

"Decidi dizer chega", explicou o homem à agência France Press. Ele passou por nove operações em quatro anos e é vítima de descargas elétricas a cada "dois ou três segundos". 

"Meus intestinos esvaziam em uma bolsa. Minha bexiga esvazia em uma bolsa. Não posso me alimentar, então eles me alimentam como um ganso, com um tubo no meu estômago. Não tenho mais uma vida decente", disse.

Cocq havia escrito uma carta ao presidente Emmanuel Macron solicitando autorização para que um médico o prescrevesse um barbitúrico e, assim, ele pudesse "partir em paz". "Como não estou acima da lei, não posso concordar com sua exigência", respondeu Macron. "Não posso pedir a alguém que ignore o atual quadro jurídico". 

Com a negativa, Cocq decidiu morrer ao parar de se alimentar, hidratar e se tratar – exceto para aliviar a dor. "Com emoção, respeito sua iniciativa", disse Macron em sua carta, que inclui uma frase manuscrita: "Com todo meu apoio pessoal e meu profundo respeito". 

Cocq estima que a transmissão deva durar de "quatro a cinco dias". Seu objetivo é "mostrar aos franceses qual é a agonia imposta pela lei", afirmou. Ele espera que sua luta perdure e que, no futuro, seja adotada uma legislação que não permita "sofrimento desumano". "Minha luta se prolongará no tempo", afirma. /AFP

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