Dita Alangkara/ AP
Dita Alangkara/ AP

Após terremoto, Indonésia intensifica luta contra epidemias

Uma semana depois do tremor, equipes tentam conter avanço de doenças entre sobreviventes

Efe,

07 de outubro de 2009 | 09h05

Com milhares de cadáveres em decomposição ainda sob os escombros, Indonésia intensificou nesta quarta-feira, 7, uma semana depois do mortífero terremoto que sacudiu Sumatra, a batalha contra a propagação de epidemias entre os sobreviventes. Mais de 500 voluntários e equipes de especialistas do Ministério da Saúde fumegam com inseticidas e desinfetantes os 320 pontos onde se acredita que há mais mortos, e repetirão esta operação durante as próximas semanas.

 

"Entre as ruínas dessa casa há pelo menos uma família inteira que eu conhecia. E como essa há centenas mais", assegurou Andre Hei, mostrando os escombros de um edifício na frente de sua casa e que não foi desinfetado, em Padang, a capital da província de Sumatra Ocidental e uma das áreas mais destruídas. Segundo a Cruz Vermelha, mais de 3 mil pessoas morreram, embora os cadáveres recuperados não cheguem a mil, e cerca de 450 mil pessoas ficaram sem lar e vivem amontoados em refúgios temporários ou casas de familiares.

 

"Estamos nos preparando perante a possibilidade que se propaguem doenças infecciosas", indicou Tjandra Ioga Aditama, o diretor-geral de Controle de Doenças e Saúde Ambiental da Indonésia. No entanto, tanto ele como o porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS) na zona, Gde Yogadhita, coincidiram em assinalar que a situação sanitária está "sob controle".

 

O representante da OMS reconheceu que ainda não concluíram sua avaliação da situação sanitária, mas estará completa provavelmente na próxima sexta-feira. A emergência é tal que se escavaram várias covas comuns em Padang e outras localidades para enterrar com rapidez os cadáveres que ninguém reivindicou.

 

Para conter a propagação de doenças contagiosas, o Ministério da Saúde desenhou uma campanha preventiva de vacinação que começa a dar seus primeiros passos. Pouco mais de cem pessoas, em sua maioria membros das equipes de resgate e remoção de escombros, foram imunizados com a vacina antitetânica.

 

O diretor-geral de Controle de Doenças não descartou que, nos próximos dias, dependendo da evolução da saúde pública, a população seja vacinada contra outras doenças. O representante da OMS, organismo que coordena às 70 ONGs na região, considerou que os principais riscos para a saúde nas áreas afetadas são "diarreias, cólera, malária e dengue". Muitas destas doenças se podem propagar facilmente pela escassez de água potável, já que os sistemas de saneamento ficaram seriamente danificados.

 

A rede sanitária de Sumatra Ocidental, que já era normalmente precária, se viu gravemente afetada pelo movimento telúrico. Três dos 17 hospitais da província desabaram por causa do terremoto e outros muitos sofrem danos estruturais, embora contem com o material básico necessário - instrumental e remédios -, segundo a OMS. Para atenuar as deficiências, se instalaram 14 hospitais móveis do governo indonésio, agências internacionais e ONG, que já estão trabalhando a máxima capacidade.

 

Segundo o porta-voz da OMS, as autoridades indonésias podem atender aos sobreviventes em Padang, mas "depende da ajuda internacional" a assistência às vítimas de Pariaman, a zona mais castigada e a menos acessível. O terremoto de 7,6 graus na escala Richter aconteceu na quarta-feira passada frente à costa de Sumatra Ocidental.

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