Após tiros em escola, Finlândia debate lei branda para armas

As brandas leis finlandesas relativasà posse de armas de fogo provavelmente serão muito criticadasdiante do incidente de quarta-feira, quando um rapaz de 18 anosmatou sete crianças e um diretor de escola no país. Cerca de 56 por cento dos finlandeses têm arma, segundoestudo feito neste ano pelo Instituto Graduado de EstudosInternacionais, de Genebra. Só nos Estados Unidos e no Iêmen aproporção é maior. O governo diz que a baixa criminalidade na Finlândia tornadesnecessária uma lei mais rígida. Mas o primeiro-ministroMatti Vanhanen disse que essa percepção pode mudar por causa dachacina realizada em Tuusula (sul) por um rapaz que no mêspassado obteve num clube de tiro a licença de porte para umapistola calibre .22. "Definitivamente isso vai impactar as opiniões sobre aspistolas", disse Vanhanen em entrevista coletiva depois doincidente, na qual prometeu que o governo vai examinar oassunto. A legislação da União Européia proíbe a venda de armas paramenores de 18 anos, exceto para a prática da caça e do tiroesportivo. Neste ano, a UE propôs abolir essas exceções, o queprovocou protestos da Finlândia, que alegou que a caça é umapopular atividade de lazer no país. A proposta permitiria quemenores usem armas apenas se acompanhados de um responsável. Em 2006, havia 300 mil caçadores entre os 5,3 milhões dehabitantes da Finlândia, segundo o departamento nacional deestatísticas. Cerca de 38 mil deles tinham menos de 20 anos. Qualquer pessoa maior de 15 anos pode solicitar porte dearma à polícia local se puder oferecer uma razão válida -- casoseja menor, é preciso de aval dos responsáveis. A forma maisfácil de obter a licença é entrando para um clube de caça outiro, como fez o assassino de Tuusula. Incidentes violentos são raros nas escolas finlandesas,onde não há detectores de metais, comuns nas escolasnorte-americanas. O massacre do colégio Jokela pode mudar tudo isso, disseTimo Myllyntaus, professor de História na Universidade deTurku. "Esta é uma violência muito brutal, sem razão óbvia, eparece ter sido cuidadosamente planejada e pode mudar a vidaescolar e universitária neste país", afirmou. "As escolas euniversidades finlandesas são muito pacificas comparadas com asnorte-americanas." (Com reportagem de Terhi Kinnunen em Helsinque e IngridMelander em Bruxelas)

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