Após tremor, Chile mobiliza Exército para evitar saques

Michelle Bachelet visita regiões que sofreram mais danos com o terremoto da véspera, que deixou 6 mortos e milhões em prejuízo

O Estado de S. Paulo ,

02 de abril de 2014 | 07h37

(Atualizada às 23h55) SANTIAGO - Um dia depois de um terremoto de 8,2 graus atingir a região norte do Chile, o país começou a contabilizar na quarta-feira, 2, os prejuízos e a fazer a reconstrução. Houve seis mortos, residências danificadas, quedas de barreiras, cortes no fornecimento de energia e barcos de pesca perdidos. Estado de calamidade foi decretado nas áreas mais atingidas, que serão reforçadas por policiais e militares para coibir saques.

Após a suspensão de um alerta de tsunami, nesta manhã, mais de 900 mil pessoas retiradas de zonas baixas do litoral norte foram autorizadas a regressar para suas casas. A presidente Michelle Bachelet visitou cedo cidades atingidas pelo desastre e reuniu-se com um comitê de emergência para supervisionar a situação. "Respondemos como se deve, adequadamente", disse ela.

"Todas as estruturas funcionaram como esperado. Recebemos informações imediatamente e de maneira oportuna para poder tomar as decisões necessárias", declarou Bachelet em Iquique. A cidade portuária de cerca de 200 mil habitantes, cujos moradores atenderam prontamente à ordem de retirada em razão do alerta de tsunami, foi das mais afetadas.

Em Iquique, cidade mais próxima do epicentro do sismo, e na comunidade de Alto Hospício, morreram uma mulher e cinco homens, um dos quais foi identificado pelas autoridades como um cidadão peruano.

De acordo com o Escritório Nacional de Emergências do Chile, cerca de 2,5 mil residências foram danificadas em Alto Hospício.

"O terremoto foi muito violento, o mais complicado foi passar a noite", disse Cristián Martínez ao canal 13, enquanto se dirigia ao colégio de Iquique do qual é diretor. "Por sorte, as famílias estavam reunidas e isso favoreceu uma retirada eficiente."

O tremor ocorreu às 20h46 (horário local) e teve seu epicentro no mar, a 86 quilômetros da costa norte, a uma profundidade de 38,9 quilômetros, provocando ondas de até 2 metros de altura. O local do sismo fica a noroeste de Iquique.

Mais de 300 tremores de pequena escala foram registrados na costa norte do Chile este ano, o que levou a população a esperar um terremoto devastador. Especialistas atestam que esta ligação não pode ser feita.

O geógrafo Esteban Sagredo, da Universidade Católica de Santiago afirmou ao New York Times que esse terremoto provavelmente não é o grande desastre natural que os chilenos temiam. "Este não é o forte terremoto que estávamos esperando", comentou Sagredo. "A área que não tremeu é muito maior do que aquela que liberou energia na terça-feira."

O chefe do Gabinete Regional para a Redução do Risco de Desastres das Nações Unidas (UNISDR), Ricardo Mena, elogiou a reação "rápida" e "ordenada" das autoridades chilenas após o terremoto. Mena disse à estação de rádio da ONU que o Escritório Nacional de Emergências do Chile fez um bom trabalho ao alertar as pessoas sobre. "Os sistemas de alerta de tsunami funcionaram e o alarme foi devidamente divulgado à população", disse ele.

Histórico. O Chile é um dos países mais propensos do mundo a terremotos. Em 2010, um tremor de 8,8 graus na região central, seguido por um tsunami, matou mais de 500 pessoas e destruiu 220 mil casas. A demora no atendimento às vítimas afetou os governos de Bachelet e do presidente Sebastián Piñera.

Por se encontrar na fronteira de uma falha geológica, o Chile conta com altos padrões de construção antissísmica e treina regularmente a população com simulações de retiradas.

"O governo do Chile tem se empenhado em conscientizar as pessoas que moram no litoral sobre a ameaça de tsunamis e o que fazer caso um se aproxime", disse Steven Godby, especialista em gestão de desastres da Universidade Nottingham Trent, na Inglaterra. "Várias simulações de tsunami ocorreram desde aquele que matou mais de 500 chilenos em fevereiro de 2010 e terremotos recentes na região ajudaram a manter a ameaça na memória das pessoas", acrescentou. / AP, EFE, REUTERS e NYT

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