Após tremor, cidade chinesa será reconstruída em novo local

Ruínas de Beichuan devem ser transformadas em memorial; número de mortos por terremoto passa de 41 mil

Agências internacionais,

21 de maio de 2008 | 09h12

A agência estatal Xinhua afirmou nesta quarta-feira, 21, que o governo da China planeja reconstruir a cidade de Beichuan, a mais atingida pelo terremoto de magnitude 7,9, em um novo local. O anúncio foi feito no dia em que o número oficial de mortos pelo forte tremor que atingiu o país há uma semana subiu para mais de 41 mil. Segundo Pequim, 32.666 pessoas continuam desaparecidas e 274.683 ficaram feridas. Veja também:Mapa da destruição na China Entenda como acontecem os terremotos  Especial: antes de depois da tragédiaVídeo com imagens do terremoto  No último dos três dias de luto em que a população homenageia os mortos na província de Sichuan, uma mulher foi resgatada nove dias depois do terremoto que assolou o sudoeste da China, disse a mídia local na quarta-feira. Zeng Changhui foi encontrada em um túnel de uma usina hidrelétrica na cidade de Hongbai, perto do epicentro do terremoto de 12 de maio. Pu Jinhui, médico que tratou dela, disse que a mulher sofreu múltiplas fraturas no braço direito, quadril e costas, segundo a Xinhua, acrescentando que ela já foi levada para uma hospital vizinho.  O governo chinês começa a assentar as bases para a reconstrução dos lugares devastados pelo sismo, hoje ocupados por milhares de tendas que abrigam os mais de 5 milhões de sobreviventes. Beichuan, a cidade mais destruída pelo terremoto, será reerguida em um novo local, ainda não definido. Segundo o chefe do Partido Comunista na cidade, Song Ming, a nova localização ainda não foi definida, mas o governo leva em conta a segurança como prioridade para a escolha. A cidade em ruínas, onde 8.600 morreram, será transformada em um memorial. A Xinhua afirmou ainda que 70% dos prédios de Beichuan desabaram, e nenhuma das construções que restaram em pé estão livres do colapso. A China prometeu tomar medidas severas contra quaisquer companhias estatais que tenham construído os prédios públicos, entre eles escolas, que desabaram como castelos de cartas durante o terremoto de 12 de maio. O governo já tinha aberto um inquérito para averiguar por que os prédios de escolas desabaram mais facilmente do que os outros, matando e soterrando milhares de crianças. O terremoto aconteceu no meio da tarde, quando muitas crianças estavam em aula ou cochilando. Li Rongrong, chefe da Commissão de Supervisão e Administração de Ativos, órgão estatal responsável pela supervisão do enorme setor público do país, disse que as construtoras contratadas sob seu comando costumam ser muito boas. "Seus projetos têm sido muito bons e essas empresas têm uma boa reputação tanto aqui quanto no exterior", disse Li em uma coletiva de imprensa. "Se estes prédios (os que desabaram) foram construídos por grandes empresas estatais, tomaremos medidas severas", acrescentou, sem dar detalhes. Li disse que o governo mandou três especialistas a Sichuan para analisar a questão. O alto número de escolas conceituadas cujos prédios desabaram, matando e soterrando centenas de crianças, revoltou os pais, que acusam as autoridades de cortar gastos, piorando os padrões de segurança. Na semana passada, o ministro da Habitação admitiu que o corte de gastos pode ter influenciado. Blogueiros e mídia estatal também questionam as fotos de escolas em ruínas, ao lado de prédios sem qualquer dano. "Uma resposta deve ser dada para os nossos filhos. Nenhum dos prédios desabou a não ser este", disse Li Xiaoping, cujo filho de 11 anos morreu. Corrupção  O governo da China afirmou que verbas utilizadas nos esforços de resgate às vítimas do terremoto precisam ser contabilizadas com transparência e que qualquer pessoa envolvida em corrupção será severamente punida. Segundo a BBC, a comissão anticorrupção do Partido Comunista informou que vai investigar "rapidamente e com firmeza" qualquer caso de atraso desnecessário no envio de auxílio e desperdício dos recursos. As afirmações foram divulgadas em uma circular da comissão e vêm em resposta a temores de que o grande volume de dinheiro arrecadado em doações seja mal utilizado. Até o momento, já foram coletados mais de 16 bilhões de yuans (US$ 2.29 bi) em doações, e a administração do dinheiro é um desafio. Será obrigatório declarar a origem, destino e quantidade de qualquer auxílio oferecido às vitimas, pois já houve casos de falsas correntes repassadas por celular pedindo doações.  O governo da China estima que os estragos tenham causado perdas de mais 30 bilhões de yuans (US$ 4,5 bi), afirmou Li Rongrong, diretor da Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais.  O primeiro-ministro, Wen Jiabao, ordenou que 40 mil tendas sejam montadas na área do desastre até o fim do mês e que a partir de então cerca de 30 mil tendas sejam enviadas à região por dia, junto com 800 mil toldos em junho. Máquinas estão aplainando terrenos em Sichuan para fazer espaço para campos de refugiados e sobreviventes.  Novo tremor Em Sichuan, muitos moradores estão dormindo nas ruas por medo de novos tremores. Mais de sete mil tremores secundários já abalaram a província desde o grande terremoto de 8 graus, no dia 12 de maio. O escritório de análises sismológicas da região previu, na segunda-feira, que um grande tremor secundário, de magnitude de entre 6 e 7 graus, deverá atingir Sichuan novamente em breve. O tremor se concentrará ao longo da falha de Longmenshan, a cerca de 160 quilômetros da capital da província, Chengdu.  A chuva que cai na província continua enchendo as represas naturais que se formaram com o deslocamento de rochas durante o terremoto. O medo que essas represas se rompam causando enchentes nas áreas afetadas chegou a suspender temporariamente os trabalhos de resgate ao longo da semana.  Na terça-feira, o primeiro-ministro, Wen Jiabao, ordenou que patrulhas fiquem observando as represas 24 horas por dia para avisar sobre qualquer risco de enchente. Milhares foram removidos da área de Qingchuan, depois que grandes rachaduras foram encontradas no topo de uma montanha.  (Com BBC Brasil e agências internacionais)

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